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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Quando o You Tube estiver na sua TV o que vai acontecer com as TVs no mundo?




























Hoje mais ou menos 1 bilhão de pessoas vão acessar o You Tube de seus computadores.

As audiências dos programas de televisão, inclusive no Brasil, estão caindo e caindo ainda mais junto aos mais jovens.

Pela televisão, porém, o brasileiro assiste "grátis" uma obra prima quanto à produção, texto, atuação dos artistas, perfeita adequação quanto ao uso da mídia como vimos nos dois primeiros capítulos da novela Passione.

O You Tube que vinha também oferecendo "grátis" o mais completo acervo de imagens jamais imaginado no mundo, está começando a oferecer atrações pagas; coisa de menos de um dólar até perto de 6 dólares por programa.

Não conheço jovens - que acompanham séries de tv norte-americanas - que não as assistam antes da exibição na televisão baixando os capítulos no momento em que eles são disponibilizados na rede.

Logo, sem precisar usar mais do que dois neurônios, dentro de pouco tempo o normal será assistir o que cada um quiser na tela cada vez maior do aparelho de televisão, deixando para a tv transmitida por emissoras para as tarefas que lhe sejam mais adequadas.

Esportes, noticiário interpretado, e uma crescente interatividade.

Mas, quem vai pagar esta festa?

Os custos serão menores ou maiores do que os hoje existentes?

Caramba! Quanto custa cada capítulo de uma novela como Passione?

Como aferir o ROI de um comercial destinado a gerar lucros para um programa de alto custo para audiências menores ano após ano?

Estamos diante de uma bicicleta, acabada de ser inventada, que ninguém ainda sabe como andar, nem mesmo só para montar.

Sugiro que os próximos passos sejam dados em relação à interatividade.

A interatividade, porém, requer a transferência do poder de quem sempre foi a voz ativa para quem tem sido sempre a audiência passiva.

Coisa muito difícil, pois no momento em que a audiência se torna ativa ela passa a dar as cartas.

Aguarde, como eu aguardo, os próximos capítulos que serão imperdíveis.

Mas torne a sua audiência tão ativa quanto possa.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Mundo está pronto para ouvir o que você tem a dizer. Sugiro você enviar o texto para pioborges@yahoo.com



Diante de tanta beleza você tem algo a dizer? Então diga!


Tenho a certeza de que a terceira lei de Newton - toda ação corresponde a uma reação igual e contrária - não se aplica somente à física; ela se aplica ao dia-a-dia de todos nós.

É impossível acontecer algo (bom ou mau) sem que as pessoas opinem formal ou informalmente avaliando se aquilo foi bom ou foi mau a partir de suas próprias vivências.

Se houvesse a possibilidade de uma viagem no tempo – para qualquer tempo – e cada um de nós chegasse lá como “testemunha ocular da história” não haveria quem não desse uma nova interpretação ao que estava ocorrendo.

E devido a esta miraculosa visão de perto a possibilidade da história ser reescrita com a sua visão particular seria uma certeza.

Se você visitasse qualquer lugar em que a história foi escrita, aposto que ela seria virada de cabeça para baixo.
No entanto todos temos hoje, sem precisar viajar no tempo, a possibilidade de julgarmos e opinarmos sobre tudo o que ocorre da maneira mais livre já imaginada.

E estamos com a faca e o queijo, ou com o teclado e o mouse, nas mãos para dizermos para todo o mundo o que realmente está acontecendo. Ou não?

Já há uma legião de pessoas no Brasil que se manifesta todos os dias na seção de cartas da imprensa e nos comentários ao que é veiculado pela Internet.

Mas isto ainda é pouco. Você tem direito de ir bem mais longe.

Diante de tanta fartura de acessos a nosso alcance muitos e muitas evitam a participação no debate,” pois tanta gente já está fazendo isto que talvez não valha a pena ser apenas mais um”.

A julgar por alguns comentários publicados em sites há uma justificativa para a timidez: uma boa parte dos comentaristas não têm muita intimidade com a língua portuguesa.

Não se trata de demonstrar condições de entrar para a Academia, mas de saber a diferença entre o “a”preposição do “” verbo, o caso mais difícil, sem falar de palavras que mudaram de grafia ao longo dos anos.

Muita gente que quer opinar e tem boas contribuições a dar aos debates vai em frente deixando de lado estes cuidados com a língua.

Mas, acho que a maioria tem medo de arriscar-se diante do mundo.

Pois, em vários destes fóruns de debates, logo depois de um comentário com erros vem outro chamando o comentarista anterior de analfabeto para baixo.

E desacredita as suas boas observações devido à incapacidade do autor usar a língua portuguesa.

O que fazer?


Aqui vai uma proposta ousada: mande o que você quer dizer para o e-mail que criei somente para receber estas mensagens.

pioborges@yahoo.com

Darei uma penteada no seu texto e antes de publicá-lo no Liberdade Carioca com o nome do autor, o enviarei para você que concordará ou não com a forma penteada que terei dado a ele.

Se não concordar não publico.
Se concordar ele vai aparecer para todos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Verdade e Mentira, as pessoas vivem, matam e morrem movidos por estas duas ilusões. Como escolher no que acreditar.



A idéia de colocar em debate este tema me chegou ao tomar conhecimento nos últimos dias das mentiras e desmentidos e das verdades relacionadas aos candidatos às próximas eleições presidenciais.

Dei-me conta de que estava assistindo um jogo em que o grande prêmio dos participantes é chegar ao mais alto cargo no país, e que mesmo não estando vinculado a nenhum deles, pelo menos até agora, o que diziam e o que deixavam de dizer irá afetar em muito ao meu futuro.

Isto ocorre porque cada vez mais este prazo de quatro anos à frente se torna um percentual maior do tempo em minha vida. Detesto imaginar seu desperdício devido à desatenção dos eleitores ao que ouvem, ao que lêem e ao que vêem.

Serra e Dilma (e mais a Marina) têm hoje em maio de 2010 a missão de tornar as suas verdades nas verdades compartilhadas pela metade mais um dos eleitores brasileiros com votos válidos.

Quem conseguir isto governará o Brasil para o seu grupo de fiéis.

E o pior:irão governar também para o grupo minoritário que não acreditou em suas verdades.

É a regra de nossa democracia com pouco mais de 200 anos, aprimorada pela eleição em dois turnos para que não haja dúvidas quanto à legitimidade do presidente: ele (ou ela) de fato e de direito é eleito pela maioria absoluta dos eleitores.

Mas para ser verdadeiramente democrático o eleito não pode governar apenas para o seu grupo, para o seu partido, para os seus partidários.

O sentido da democracia não é a eleição de uma ditadura da maioria renovável de tempos em tempos sobre um a minoria obrigada a engolir estas decisões e suas conseqüências por certo número de anos.

As resistências da oposição a este tipo de tratamento impedem que o bem comum seja alcançado e determina a demora para que decisões de bom senso não sejam vistas como “bandeiras” do grupo perdedor das eleições, e que por isto não sejam implementadas logo.

O processo para superar estas questões requer uma série de arranjos entre correntes políticas opostas em benefício do país como um todo.

O que vem ser a melhor definição de política.

A política porém é muito mutável. E o que se veja hoje como politicamente correto deixa de ser assim visto num passe de mágica.

Veja este exemplo bem simples e até simplista:

A Praça Paris, no centro do Rio de Janeiro, era um lindo recanto da cidade.

Era um ponto turístico imperdível para quem quisesse conhecer a beleza e bom gosto da Cidade Maravilhosa até meados do século 20.

As alamedas, os arbustos ,o lago, os repuxos , o gramado, as estátuas representavam toda a beleza desejada num parque público. Os fícus eram “esculpidos” pelos jardineiros com grande habilidade.Tinham formatos diversos e eram vistos como peças de alta criatividade de seus jardineiros.

Nos anos 60 foi criado o Aterro do Flamengo, separando a Praça Paris da Baía de Guanabara. No Aterro todos os jardins planejados por Burle Marx revolucionaram a arte de fazer jardins. Cada planta foi escolhida para – com a sua própria conformação, sem retoques – representar o verdadeiro jardim tropical.

Era uma verdade botânica contrapondo-se a uma mentira aceita e valorizada por todos.

Os jardins modernos decretaram em menos de 10 anos o fim da antiga estética.

Se a nova verdade se revelou num caso tão pouco controverso é fácil imaginar como neste mesmo período muitas outras verdades aceitas sem discussão sobre uma infinidade de temas foi derrogada sem que a maior parte das pessoas percebesse.

As eleições de outubro para nós serão mais um capítulo no grande confronto histórico brasileiro das verdades de um grupo contra as mentiras dos outros e vice-versa.

Um confronto, como comprova a nossa História,que tem sido não só a fonte de todas as discórdias como de todas as concordâncias obtidas. E obviamente o molde em que está formada a nossa sociedade.

A nossa verdade atual foi estabelecida sobre uma teia de mentiras, inexatidões, artifícios em cima dos quais dirigentes e a população geraram providências reais que ao se tornarem reais afetaram a todos, muito além do terreno das idéias e dos debates.

Uma gota de realidade vale mais do que toneladas de discursos, textos ou intenções.

Como aluno de direito fiz um “curso instantâneo de ceticismo” quanto à pureza dos testemunhos quando, após um simples incidente de rua assistido por uma boa parte da turma gerou tantas versões “detalhadas” e discordantes entre si quantos foram os alunos que o presenciaram.

Os depoimentos por escrito demonstraram melhor do que em mil aulas como o testemunho é antes der tudo falho.

Imagine quando os “incidentes” são testemunhados não por 30 alunos, mas por 130 milhões de “juízes/eleitores”! Cada um vê alguma coisa, e pode ser levado a vê-la com mais clareza quando o incidente é traduzido em sua versão mais adequada a um político de plantão.

Antes do uso do juramento sobre a Bíblia, como vemos em filmes, como forma de obter a verdade e apenas a verdade de uma testemunha este compromisso de se ater à verdade era obtido, como a palavra testemunho diz, colocando a mão (munus) sobre os testículos - testes próprios ou da pessoa que fazia a afirmação.

A mentira descoberta implicaria na perda dos testículos, uma ameaça bem mais próxima do que a que poderá sofrer quem minta depois de jurar dizer a verdade com a mão na Bíblia...

Não há, porém registro na história de quem tenha sido emasculado por ter mentido depois de jurar com a mão nos testículos.

E se esta prática fosse rotineira nas terras do Brasil teríamos ao longo de pouco mais de 500 anos de história produzido o maior contingente de eunucos com altos postos governamentais do mundo.

Se fosse um preceito mundial estaríamos diante de um mundo em que governantes não teriam filhos em todas as latitudes.

Por esta razão antes de mergulhar neste mar tempestuoso das verdades e das mentiras é preciso definir melhor o que estamos falando.

A verdade na mais sua mais simples e mais fácil definição é a correspondência entre o que ocorreu e a sua descrição.

(Coisa que experimentalmente como aluno de direito constatei não ser verdade.)

A mentira é exatamente a mesma coisa com os sinais trocados.

(Coisa que experimentalmente como aluno de direito constatei também não ser verdade.)

Portanto ao abordar o tema e diante de uma definição tão simples concluímos que a busca de uma definição sintética , simples, vai sempre nos levar ao erro.

O problema desta definição não é ser curta, nem simples. É deixar de fora os aspectos sutis que ajudam a entender muito mais precisamente o que se quer dizer quando se deseja chegar à verdade.

Ismael Silva (1905-1978) além de ter sido um sambista inspirado, e uma personalidade admirada por todos que o conheceram, era um filósofo natural, a forma como descreviam a sua atividade os filósofos gregos e todos pensadores que lhes sucederam até pelo menos o século 18.

Os praticantes da filosofia natural eram todos que se dedicavam a entender e explicar o mundo e as pessoas para si próprios e para os demais.

E foi exatamente isto que Ismael Silva fez com os seus parceiros, Nilton Bastos e Francisco Alves, num samba de 1931: Nem é bom falar. Em que falam com sutileza e profundidade sobre mentiras e verdades em poucos versos.

Quer ver?

Nem tudo que se diz se faz
Eu digo e serei capaz

De não resistir
Nem é bom falar
Se a orgia se acabar


A frase inicial que tornou o samba famoso e lembrado hoje 80 anos depois de seu lançamento é uma verdade incontestável : Nem tudo o que se diz se faz.

É um axioma que dispensa uma prova científica para comprovar a verdade nele expressa. O juízo humano sabe que de fato isto acontece. Basta ter convivido com outras pessoas e cada um terá testemunhado como o que é dito deixa muitas vezes de ser feito.

Todos nós deixamos de fazer o que dizemos que iríamos fazer.

Procuramos cumprir o que dissemos, mas nem sempre isto se verifica pelos mais diversos motivos.

Mas esta primeira frase assinala uma verdade que tende a obter o apoio de todos que a ouçam, não só em relação ao que esteja afirmando, mas como um salvoconduto para o que seja dito em seguida.

Uma segunda afirmação que se torna ainda mais verdadeira por estar apoiada pela palavra nem que ameniza a sua ênfase.

O samba não diz que as pessoas (todas) não fazem o que dizem que vão fazer. A frase ao começas pelo Nem a torna ainda mais verdadeira.

Mas, o samba prossegue com outro verso, uma promessa, um compromisso definitivo feito com o benefício de ter sido precedido de uma grande verdade aceita por todos:

Eu digo e serei capaz

É a retórica a que recorrem os candidatos que após alinharem fatos reconhecidos como verdadeiros fazem promessas para obter a confiança de quem lhes esteja ouvindo.

No segundo verso não há reticências, embora fique no ar a expectativa do que ele queira dizer com “ e serei capaz”.

Então o samba subverte tudo o que disse como verdade para complementar seu compromisso quanto ao que ele será capaz:

De não resistir nem é bom falar se a orgia se acabar.

Quem disse antes uma verdade e diz que disse uma verdade avisa que o que disse sempre estará sujeito a deixar de ser verdade “se a orgia se acabar”.

Em física esta orgia poderiam ser as CNTP, ou Condições Normais de Temperatura e Pressão.

Ou status quo, as condições existentes quando o compromisso foi feito, mas perfeitamente abandonado se as condições mudarem.

Se houver risco ao gozo e à fruição de vantagens desfrutadas no momento então todo o dito deixa de valer.

Diante destas possíveis mudanças estão enquadradas todas as verdades ditas, escritas , implantadas a ferro e fogo por todos os políticos, generais, líderes religiosos e nós mesmos.

Algo que podia ser apenas um tema ameno para este texto, mas que na vida prática tem levado milhões de pessoas à perder suas vidas, a mudar de país, a promover mudanças que nos afetaram a todos.

No Brasil estamos às vésperas de um plebiscito entre as verdades de Dilma e as verdades de Serra.

Quem as ouça vai decidir pelo voto democrático quem merece mais crédito para presidir o país. Numa escolha democrática.

Na frase anterior usei várias palavras com mais de 2000 anos retiradas da Grécia antiga que as criaram. Palavras que definiram nos últimos 200 anos a maneira mais bem aceita de fazer política para os bilhões de habitantes da terra.

Os gregos no quinto século antes de Cristo tomavam as decisões políticas, referentes à administração de sua pequena população em Atenas – quase um condomínio da Barra da Tijuca – pelo voto direto dos cidadãos reunidos na Ágora

Foi na Ágora que os cidadãos decidiram também quem deveria ser considerado como cidadão capacitado a votar.

Mulheres, jovens e escravos, (a maior parte da população!!!), não eram considerados cidadãos e portanto não tinham direito ao voto. Bela democracia!

Mas esta Democracia em seus primeiros passos delineou as suas virtudes e explicitou o seu maior problema: saber quem decide quanto à vida em sociedade. Em qualquer sociedade.

No Brasil as mulheres passaram a ter direito nacional ao voto em 1934, sendo reconhecidas como cidadãs a partir de um movimento surgido em Mossoró, no Rio Grande do Norte, logo após a primeira guerra mundial.

Bem antes de centenas de outros países do mundo.

Fomos o quarto país das Américas a estabelecer em Lei esta “novidade” de mulheres como cidadãs, 2500 anos depois da “invenção” da democracia na Grécia.

Antes do Brasil tiveram direito ao voto as mulheres do Canadá, Estados Unidos e Equador.

Os jovens acima dos 16 anos ganharam o direito de votar no Brasil na constituição de 1988.

Com estas medidas o Brasil é um dos maiores colégios eleitorais do mundo em que uma eleição realmente alcança e supera qualquer manifestação democrática em qualquer momento da história.

Nós somos 130 milhões de eleitores com direito e obrigação de votar numa população total de 190 milhões habitantes. Obter a maioria dos votos desta multidão consolida a escolha do eleito, ou da eleita.

Numa outra grande democracia do mundo, os Estados Unidos da América, o total de eleitores registrados em 2008 era de 130 milhões de pessoas para uma população de 300milhões de habitantes também em 2008.

Por incrível que pareça a densidade eleitoral no Brasil (130 milhões de habitantes em 190 milhões na população) é bem mais alta do que a dos EUA (130 milhões de eleitores para uma população de 300 milhões de habitantes).

A Índia com mais de um bilhão de habitantes e um sistema eleitoral quase incompreensível para nós (pois tem de acomodar diferenças profundas de suas etnias conflitantes) tem pouco mais de 200 milhões de eleitores de variados partidos que se matam regularmente a cada novas eleição.

O Brasil portanto aparece muito bem na foto, mas isto para nós é também um grande risco: pois a verdade aceita como tal pela maioria elege uma pessoa compromissada em obrigar às demais pessoas a aceitar providências contrárias a seus interesse manifestado nas urnas.

Mas, esta oposição e este conflito de interesses diante da verdade das ações governamentais não são novidades, nem exceções no Brasil, nem fatos que se tornaram mais problemáticos em certas épocas e menos importantes em outras épocas.

Aquela piada de que as coisas funcionam aqui por que Deus é brasileiro parece cada vez menos uma piada e um verdadeiro pistolão celestial para explicar a nossa história desde que passou a ser registrada.

Como um país “achado” por uma esquadra de um país católico que exibia a “Cruz de Malta” na velas de todas as suas naus e caravelas, “batizado” de Vera Cruz muda de nome para Brasil em pouco mais de 30 anos após a viagem de Cabral?

O nome de verdade, Vera Cruz, é mudado para o nome de mentira Brasil numa das histórias políticas e diplomáticas mais fascinantes. Algo que podemos examinar em outros textos.

Neste o que vale mais acentuar é que a nossa verdade atual, representada por tudo o que aqui existe, inclusive eu, você e sua família somos resultantes de uma infinidade de mentiras que não cessam de ser criadas e implementadas todos os dias.

O Roberto, meu filho, ao falarmos sobre este tema, disse uma frase muito boa, por me parecer tão verdadeira como a do samba do Ismael Silva:

Não adianta procurar a verdade, o que devemos buscar é a melhor mentira.

Um caso a pensar...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Na Indonésia os policiais não podem matar a cobra e mostrar o pau - se for grande


Este não pode ser policial em sua terra

Esta notícia recebi hoje via Reuters que tem um serviço dedicado a informar sobre coisas estranhas.

Por poder causar constrangimento durante exercícios (acho que o cara fica desequilibrado) e talvez por assustar seus companheiros menos dotados nos vestiários, a Polícia e o exército locais dispensam os candidatos que tenham se submetido a procedimentos para aumentar o pênis. Como o papuano da foto.

Se você achava até agora que estas estranhas propostas chegadas como spam eram pura vigarice já pode começar a rever seus conceitos.

Na Indonésia não só funciona como o resultado gera uma confusão em público, apesar de ser um costume milenar.

Reproduzo a notícia em inglês a seguir. Você verá que este aumento de pênis no país é coisa comum mas exige um processo assustador em que a ida do candidato à ilha de Papua é essencial. Já sabendo que vai doer ...pa ca.

Leia e veja o que ocorre:

(Reuters) - Forget about getting a job as a police officer in Indonesia's Papua if you have had your penis enlarged. You won't get it, according to local media reports citing the Papua police chief.

An applicant "will be asked whether or not his vital organ has been enlarged," said Papua police chief Bekto Suprapto, quoted on local website Kompas.com.

"If he has, he will be considered unfit to join the police or the military."

The ban was applied since the unnatural size causes "hindrance during training," said police spokesman Zainuri Lubis in Jakarta, quoted by news portal Detik.com.

Indonesia's remote easternmost province is home to Papuan tribes, many of whom are known for wearing penis gourds.

A low-level separatist insurgency has waged in the resources-rich part of Indonesia for decades and there is a heavy police and military presence there.

Papuans use a local technique to achieve the enlargement, according to a sexologist quoted by local newspaper Jakarta Globe, wrapping the penis with leaves from the "gatal-gatal" (itchy) tree so that it swells up "like it has been stung by a bee," the expert said.


(Reporting by Olivia Rondonuwu; Editing by Sara Webb and Sanjeev Miglani)

Oddly Enough


Note que as jornalistas que prepararam a matéria tiveram apenas um colaborador marculino para escrever o texto. Isto é se Sanjeev for mesmo nome masculino como acho que seja.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Barafunda teu nome genérico é BRICS, ou melhor RICs.



Há poucos meses a TV brasileira exibiu a novela Caminho das Índias, que não vi, mas que todo mundo viu e teria transformado todos os brasileiros em especialistas na região, seus hábitos, sua religião, suas danças, etc.

Isto não aconteceu nem de perto nem de longe. A Índia é impossível de ser entendida em simples explicações. E muito mais difícil ainda se você decidir conhecê-la em detalhes.

A Índia em nossas cabeças com certeza tem algumas raças diferentes uma das outras que convivem mais ou menos harmoniosamente, num vasto país de um bilhão de habitantes, não è?

Há indianos que usam turbantes, outros que não usam, outros que vivem meditando, outros que tomam banhos no Gânges, sem ligar para o fato do seu vizinho de banho, logo ao lado, esteja fazendo as suas necessidades fisiológicas numa boa...

A informação real. A Índia é uma miscelânea de elementos políticos, religiosos e raciais que tendem ao conflito em função de atitudes que para nós brasileiros parecem sem sentido.

Convivem na Índia 45 raças dispersas em 2400 castas e tribos que não se comunicam entre si em 225 grupos lingüísticos.

Se você pensava que os dalits eram os intocáveis e os demais eram todos de castas superiores não poderia imaginar que havia mais de 2000 outras castas.

As línguas faladas na Índia são em parte compreensíveis entre si, mas a maioria precisa de legendas em seus filmes para que outros indianos possam entender o que está sendo dito.

Há menos de um ano, a REPENSE recebeu em São Paulo a Sharada, uma premiada diretora de cinema indiana. Conversamos e busquei naqueles breves momentos ouvir o relato descompromissado de quem convive com este mundo.

Ela foi jurada em Festivais de Cinema em seu país em que os filmes de Bollywood (a Hollywood indiana) disputam com os filmes feitos em três outros centros a preferência dos espectadores.E a premiação indiana tal como ocorre com o Oscar.

Só de línguas em que os filmes eram feitos havia 26. E eram faladas por gente suficiente para justificar os investimentos na produção de filmes. Mas, para serem julgados estes filmes precisavam ser legendados.

Exagero? Não, a própria Sharada mora num lugar e trabalha em outro distante menos de 100 quilômetros da porta de sua casa. Ela vai de carro e atravessa uma faixa de terra de outra região em que a língua e a escrita são diferentes.

Ao cruzar esta fronteira Sharada não entende nada do que está escrito nas placas, e se fosse comprar alguma coisa em lojas ou estabelecimentos teria de usar o inglês para ter uma chance de ser entendida.

Só para recordar Ghandi ( 1869 – 1948) morreu assassinado depois de ter conseguido a Independência da Índia da Inglaterra e de ser visto como uma espécie de novo santo no mundo, inclusive no Brasil onde os filhos de Ghandi formam um poderoso bloco carnavalesco. Coisa impensável na Índia.

Se você acha que há uma “guerra civil” nas ruas das capitais brasileiras faça uma visita às matérias mais atuais sobre a Índia.

A China e seus líderes

A China cresce e continua a crescer demonstrando na prática que as boas intenções da democracia, pregadas e repregadas nas boas escolas ocidentais, não precisam ser tão consideradas para um país dar certo.

A questão da invasão do Tibete, a expulsão do Dalai Lama, as exigências quanto ao tratamento dispensado a ele nos outros países são conceitos ideológicos consistentemente colocados diante do mundo. Pois a China exige que os países com que mantem relações não mantenham relações com a antiga China Nacionalista , na ilha Formosa.

Para entrar na ONU, como representante única dos chineses, todos os países membros tiveram de declarar o apoio formal à reintegração da Ilha Formosa ao território chinês.

Dentro da China há mais de 200 grupos étnicos conflitantes, mas rigorosamente controlados pelo poder central num país com 1 bilhão e 300 milhões de habitantes.

E a Rússia?

A Federação Russa tem 31 línguas além do russo e convive com (veja o caso do Kosovo) toda a constelação de países anteriormente integrados à União Soviétic. Uma "salada russa" com características nacionais conflitantes de vizinhos, com os vizinhos dos vizinhos e,pior ainda, com a Rússia que usa processos muito diretos para acabar com estas disputas: pancada usando forças militares poderosas.

Tanto a Índia, quanto a Rússia e a China têm arsenais nucleares e foguetes com capacidade teórica de jogar bombas em qualquer lugar da Terra.

O Brasil se acha capacitado a obter acordos entre países pelo processo da diplomacia olho no olho preconizada pelo atual presidente.

No entanto, o grande trufo do nosso país, ao fazer parte deste grupo (que só se tornou um grupo por decisão do economista que viu oportunidades novas neles) , é o fato de sermos efetivamente um país.

Não que os outros não sejam, mas em nosso caso não há divisões sérias, nem grandes ameaças à unidade por parte de qualquer região.

Barafunda é uma palavra portuguesa cujo significado é grande bagunça, confusão, desorganização, coisa inadministrável.

O Brasil para chegar às barafundas nacionais dos três outros cantos dos BRICs vai ter de se esforçar demais. E dificilmente vai conseguir...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Economistas iconoclastras valorizam a filosofia natural em sua ciência: o primeiro deles demonstrou como ganhar dinheiro com previsões corretas.












Outro fato notável – devia chamá-lo de fato relevante - com uma importância infinitamente menor diante das constatações do Marcelo Gleiser (ver postagem anterior) - estava nas páginas amarelas da revista Veja numa entrevista iconoclasta do economista Robert Shiller, um professor da Universidade de Yale que acaba de publicar pela Campus/Elsevier o livro O Espírito Animal em co-autoria com George Akerlof (prêmio Nobel de economia).

Ambos se dedicaram a destruir o mito de que os mercados se regem por leis puramente matemáticas pouco relacionadas com as percepções das pessoas.

O livro, a entrevista e o que eles dizem é uma revolução, pois, durante muito tempo o nicho dos economistas foi preservado como um santuário com regras próprias, herméticas, e, portanto pouco acessível às análises e às críticas dos leigos. Algo muito próximo de uma religião apoiada em verdades indiscutíveis.

Somente no início do século 20 a palavra economista começou a ser usada embora Fan Li por volta do ano 490 a.C seja indicado como o primeiro dos economistas. Fan Li era conselheiro do rei Gouijuan na China e disse (deixando registro do que disse) que era necessário comprar por menos e vender por mais para que os países pudessem existir. Viva o Fan Li, pois a sua recomendação continua verdadeira até hoje.

Daí os economistas do passado - sem este nome - foram todos que se detiveram sobre como ganhar dinheiro. Thales de Mileto, que viveu na mesma época e foi reconhecido como o primeiro dos sete sábios da Grécia também deve ser reconhecido como um economista, e até mais:elefoi primeiro economista que aliou a teoria à prática e ganhou muito dinheiro.

Thales era um atento observador dos astros e dos ângulos em que podiam ser vistos e foi o primeiro a predizer um eclipse, com absoluta precisão em 585 a.C.. A sua capacidade de dizer o que iria ocorrer no céu e acertar foi considerada por Aristóteles, alguns anos depois, como o data de nascimento da Filosofia.

Hoje em dia, sem a menor dúvida, Thales seria considerado o “cara” na Grécia, onde a ausência de uma cabeça como a dele está sendo chorada por todos os gregos e pelos demais europeus que vão perder muito dinheiro com o “eclipse” econômico do país agora.

Mas, além de prever o eclipse, Thales previu que diante das condições climáticas de um determinado ano que a safra de azeitonas seria imensa.

Antes de dar a notícia a toda a população, como havia feito em relação ao eclipse, ele usou a sua própria inside information e arrendou todas as prensas de azeite da região.

Quando a safra realmente se revelou imensa o azeite só poderia ser extraído nas prensas de Thales, que demonstrou na prática como se podia ganhar muito dinheiro com o uso de informações não disponíveis para todos...

Thales seguiu os conselhos de Fan Li: alugou as prensas por menos do que este aluguel iria custar quando todos precisassem prensar as azeitonas e tornando-se assim o rei do azeite em Mileto.

Sábio + tino para negócios = a economista antes de a profissão existir formalmente.

Thales foi reconhecido durante a sua vida como o mais sábio dos sábios e na minha visão como o primeiro economista com a visão dos interesses humanos como prioridade que faltou ao grupo dos economistas criticado por Shiller e Akerlof.

Shiller e Akerlof concluíram em seu livro que os profissionais da economia sofreram nos últimos anos um processo de autoconvencimento coletivo interesseiro que resultou na catástrofe na economia mundial de 2008.

A economia – ao posicionar-se como uma atividade em que o dia-a-dia do comum das pessoas não era tomado em conta - como acusam os autores do O Espírito Animal – pecou ao ignorar a filosofia natural.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Data Venia, você hoje tem se ser iconoclasta. E dar graças a Deus por isto...


Desde 2007 eu fundi a PB, uma agência de comunicação dirigida fundada por mim e pela Vivian Fasca com a REPENSE, criada e instalada em São Paulo pelo Otávio Dias.

O nome da agência é uma declaração de propósitos, uma afirmação quanto à maneira de fazer publicidade (comunicação com o mercado) que me fascinou desde a primeira vez que conversamos sobre o novo empreendimento.

Há já pelo menos uns 20 anos tinha consciência de que o negócio de prestar serviços de comunicação para organizações deveria ser muito mais abrangente do que vinha sendo praticado e aprimorado ao longo do século 20.

Pois o século 20 trazia tantas modificações ao que se fazia e ao que deveria ser feito que a propaganda deveria refletir este fato.

Até por não encontrar (ou ser incapaz de achar...) espaço para os debates técnicos “neutros” e acadêmicos em outras respeitáveis associações fui um dos fundadores da Associação Brasileira de Marketing Direto (ABEMD) eleito como o seu primeiro presidente quando ainda se chamava Instituto Brasileiro de Marketing Direto, IBMD.

Conto esta história toda para demonstrar a necessidade – muito além da área de comunicação com o mercado – de sermos iconoclastas hoje.

Em 1976. quando foi formada, a ABEMD congregou os profissionais e as empresas dedicadas ao marketing direto empenhados todos em estabelecer novas oportunidades de trabalho num mercado em evolução. Éramos iconoclastas.

Ser iconoclasta em nossa época, como foi em 1976, é muito mais fácil do que quando o termo foi criado por volta do ano 700.

Iconoclasta eram os cristão dedicados a quebrar imagens (ícones) que representavam Deus e os santos e eram veneradas com o mesmo ardor dedicado ao Deus católico e aos santos.

Algo que estes cristãos garantiam que não estava previsto e ao contrário era proibido nos evangelhos.

O que poderia ser algo tão simples quanto fundar uma associação teve consequências muito mais sérias para os que defendiam e os que reprovavam as imagens.

Prisão, condenação à morte, excomunhão eram consequências muito mais dolorosas do que uma identificação de “marqueteiros diretos” num ambiente em que a maioria era reconhecida como “publicitários”.

Nos últimos dias ocorreram fatos que me levaram a escrever este texto e a propor o desafio no título para você que o lê qualquer que seja a atividade a que se dedique:

É impossível nos dias em que vivemos - e nos dias que vamos viver – deixarmos de ser iconoclastas. Se decidirmos nos conformar com o que existe estaremos abdicando da maior vantagem de sermos humanos, racionais, de estarmos vivendo nesta época e dispormos de tantas informações.

Um destes fatos foi o lançamento do livro de Marcelo Gleiser, CRIAÇÃO IMPERFEITA, Cosmo Vida e o Código Oculto da Natureza, pela Editora Record em um evento com direito a uma palestra do próprio Marcelo sobre o tema der seu livro.

Marcelo é brasileiro, carioca, criado em Copacabana, formado pela PUC em física, autor de livros de divulgação científica notáveis, como A dança do Universo e O fim da Terra e do céu e dirigente de um grupo de pesquisa em física teórica no Dartmouth College, nos EUA onde é professor de Filosofia Natural e de Física e Astronomia.

Filosofia Natural era o nome admitido para a ciência até o século 19. Quem se dedicava a estudar o que fazia o mundo existir não recebia o rótulo de cientista, e sim de filósofo natural, uma denominação a que se atribuíam os gregos desde o 5º século antes de Cristo.

Aristóteles, Platão, Sócrates e todos os demais pensadores sobre o mundo e as pessoas eram filósofos naturais.

Newton que foi considerado o primeiro cientista a identificar a “lei da gravidade” ao analisar o que ocorria com os corpos em queda e ao definir os princípios matemáticos relacionados a isto, chamou o seu livro de Philosophiae Naturalis Principia Mathematica . Os princípios matemáticos da filosofia natural.

No livro de Gleiser, lançado pela Record em 2010, em 360 páginas ele se compromete a não utilizar fórmulas além da E=mc² e a explicar todos os termos técnicos inacessíveis ao leitor leigo, e promove o mais violento terremoto sobre o conhecimento científico, sobre a sua vida, a religião e a filosofia desde que Kepler, Copérnico e Galileu demonstraram (correndo grandes riscos de vida) que a Terra não era o centro do Universo, e que ao girar em torno de seu eixo fazia ocorrer os dias e as noites. O sol não nascia no leste nem morria no oeste todos os dias.

Foi um choque terrível acordar num dia como centro do universo que girava em nossa volta, criado pelo nosso Deus, que nos havia feito à sua imagem e semelhança para nos beneficiarmos de tudo aquilo desenvolvido sob medida para a nossa fruição em vida e após a vida e ir dormir no mesmo dia como habitantes de um planeta que girava em torno do sol, este sim, o centro do universo.

No livro do Gleiser ele dedica o vigor de um jornalista diante da maior reportagem que pudesse apurar a demonstrar que a busca durante 25 séculos da Teoria do Tudo é destituída de sentido.

No ano de 2010 da mesma forma dramática que os homens perderam seu status de centro do universo há 400 anos, nós agora – talvez como a única forma de vida provada e inteligente do universo – nos vemos completamente dissociados das disposições positivas ou negativas de divindades de qualquer espécie.

A iconoclastia de Marcelo Gleiser em 2010 propõe algo mais do que quebrar a imagem de Deus. Ele questiona a existência de qualquer força que se assemelhe a divindades de qualquer espécie.

Há apenas quatro séculos os interessados nas pesquisas de Copérnico, Kepler e Galileu se viram destituídos da honra de estar no centro de um Universo criado por Deus em seu benefício.

Hoje em 2010 nos vemos diante da muito terrível situação de destituídos de todos os deuses, devendo as nossas vidas, a nossa evolução, nossas qualidades e nossas falhas a resultantes aleatórias de cadeias de vida formadas e mantidas há bilhões de anos.

Cada um de nós é descendente direto da célula viva inicial cujo rastreamento algum dia talvez seja identificado em nosso organismo.

Uma herança da qual nos orgulharemos de forma muito mais entusiástica do que quando vemos o nome de nossos antepassados diretos em registros de uma história recente.

Marcelo, mesmo diante do mundo sem um Deus criador de tudo e zeloso interessado nos destinos de sua criação, reconhece que neste momento ao contrário de sermos diminuidos ganhamos uma nova importância superior a tudo o que se possa imaginar.

Mas, vai ser muito difícil admitirmos mais esta diminuição de nosso status diante do Universo.