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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Cateterismo, ou CAT para os íntimos. Podia ser chamado de milagre há poucos anos

\Não é um roto rooter em que um cabo flexível é enfiado numa tubulação hidráulica e devidamente operado recupera a circulação tal com se nunca tivesse sido obstruída.

O cateterismo em seres humanos faz exatamente a mesma coisa. Um cateter inserido numa artéria é empurrado até chegar ao coração e suas artérias.

O cateter tem uma câmera na ponta, luz intensa e o operador vê tudo com padrão FIFA.

Até 20 anos isto não podia ser feito sem abrir o peito do entupido, sem parar a circulação , sem ter um campo claro e bem iluminado , pois a sangueira tornava o ambiente uma imitação do MASH em que o operado  era a atração.

O nome STENT não recente e teve origem em 1856 com um dentista escocês que inventou um dispositivo para introduzir na boca de pessoas com a face , imaginou que podia resolver problemas de estreitamentos e obstruções dos vasos se conseguisse colocar nestas obstruções uma rede metálica- que pudesse ser levada até o ponto com o entupimento com o cateter - e quando estivesse no local a rede encharcando-se de sangue se tornava numa gaiola resistente que reabria o vaso para alegria do entupido-que ficava bom.
Tempo destapoderação : uns 20 minutos em que o operado pode até sair

sexta-feira, 20 de março de 2015

HOT DOGS SÃO CULTURA, COM GOSTO DE HISTÓRIA E SABOR QUE VEM DA MEMÓRIA


Tad Dorgan foi o cartunista que tornou o  hot dog um sanduíche global. 
Nos anos 50 do século passado surgiu o hábito de se comer cachorro quente em carrocinhas à beira mar.

Cachorro quente famoso havia o do Bob's também fundado nos anos 50 que despertou um novo apetite dos cariocas com sanduiches de queijo quente, mistos, salada de ovo, batatas fritas, laranjada com gominhos (dando a impressão de ser nova e recém espremida) , malted milk, sundaes, queijo com banana, sorvetes com marsmellow,  e outras delícias que logo foram chamadas de fast foods.

Comia-se em pé, nos balcões depois de pagar o que se queria na caixa.

O normal até aquele tempo era pagar-se (com gorjeta) depois de comer.

As carrocinhas de cachorro quente empurradas pelos seus donos que eram também os responsáveis pela fast-food mais rápida que se pudesse imaginar.

Os cachorros quentes de salsichas sempre imersas em água fervente postas em pães macios e que podiam receber dois tipos de molhos: ketchup e mostarda.

Havia nas carrocinhas Coca Cola para completar a refeição fastíssima.

A marca nas carrocinhas era Geneal, que qualificava e garantia que o cachorro quente era diferente (e melhor) do que qualquer outro. Carrocinhas podiam ser preparadas para vender cachorros quentes, mas cachorro quente Geneal só era encontrado nas carrocinhas Geneal.

Quando comia o meu cachorro quente jamais podia imaginar que estava saboreando uma iguaria inventada na Babilônia por volta de 1500 AC.

Quando os gregos romanos comeram as suas primeiras salsichas já estavam comendo uma delícia com quase 2000 anos.

Charles Panati, o autor do livro sobre a origem de tudo o que você possa imaginar, informa que um livro de receitas romanas do ano 228 da nossa era a salsicha era o principal prato servido nas Lupercalias, uma festa em homenagem ao deus Lupercus, um deus pastoral celebrado por cuidar da iniciação sexual dos que precisavam de obter uma iniciação sexual.

As salsichas eram feitas exatamente como as de hoje. A diferença é que em vez de um envoltório sintético e comestível de hoje as salsichas eram carne, gordura, e sangue espremidos e enfiados em intestinos lavados, e fechados com fios que garantiam a qualidade do conteúdo pelo menos por alguns dias.

 Não havia nem gelo, nem geladeiras e cada um tinha de buscar formas para conservar alimentos.

Os intestinos lavados dos animais mortos eram também comestíveis, flexíveis e resistentes.

Nas Lupercalias, celebradas em fevereiro antecipando os festejos do Carnaval  ,eram o momento certo para a iniciação sexual de quem precisava disto. E a iniciação implicava na prática de atos sexuais

Em Roma as camisas de Vênus já estavam sendo usadas para evitar filhos e doenças e eram feitas exatamente como as mesmas tripas. E  deviam envolver  o pênis e eram fechadas com cordões.Numa ponta e na base proporcionando também atos mais prolongados.

Diante da popularidade dos costumes sexuais é bom lembrar que ao deparar com um animal abatido havia muito mais gente interessada muito mais nas camisas de Vênus, do que nas outras partes do animal morto.

À partir dos romanos e da expansão de seu império pelo resto da Europa todas as cidades criaram as suas próprias salsichas.. Viena, Frankfurt que obtiveram o reconhecimento do mundo no século XIX, justamente quando a América iniciava os seus anos dourados de invenções para o prazer de novos imigrantes europeus.

Foi em Coney Island em Nova York onde as diversões para multidões incentivaram a abertura de restaurantes que um  fabricante de tortas em sua padaria,sócio um alemão de Frankfurt Iniciou a histórfia do nosso hot dog. . Foi o sócio alemão Antoine Feuchtwanger .que popularizou a ideia da salsicha enfiada no pão.

Para concorrer com os restaurantes onde eram servidos pratos quentes o sócio dele, Charles Feltman , inventou o negócio de vender salsichas quentes em pães macios., e delineou o nome de hot dogs para o sanduiche.

Um boy contratadso por eles chamado de Nathan Handwerker, decidiu começar o seu negócio, vendendo os sanduíches pela metade do preço dos seus inventores . E cada vez mais pontos de venda. E uma outra invenção brilhante:  nas suas carrocinhas os médicos do Hospital de Coney Island comiam de graça desde que usassem a sua roupa branca e tivessem um estetoscópio pendurado no pescoço.

Aqueles médicos com suas inconfundíveis roupas brancas chamavam a atenção para as carrocinhas de Nathan. E a preferência dos médicos transformou-se num projeto de merchandising antes da palavra ser inventada .

Os sanduíches ganharam mais fama e passaram a ser vendidos em estádios de baseball como os sanduíches com red hot de salsichas de frankfurt com o formato semelhante ao de cachorros dashhound .

Logo chamados de dogs, muito mais fácil de dizer.

Com estas invenções oportunísticas as salsichas da Babilônia passaram a se chamar no mundo inteiro de hot dogs.

Pesquisei esta história ao sair de um cinema no Shopping Mall de São Conrado quando topei com um quiosque com cachorros quentes marca Geneal, muito bons, muito bem atendidos pelos dois funcionários da Geneal.

Me perguntei então quando havia começado a venda dos hotdogs no Rio e cheguei a esta história:

1. É antigo paca.
2. Sócrates, Aristóteles, Platão e Homero já comiam salsichas.
3. Roma levava os primeiros foliões no "Carnaval" das Lupercalias a se interessarem por usos sensuais das salsichas.
4. O império romano incentivou a produção de salsichas em dezenas de suas cidades na Europa.
5. Os alemães levaram as salsichas para os Estados Unidos.
6. Foi lá que o nome hot dog foi inventado e popularizado.
7. No Rio e no Brasil o uso do nome hot dog começou no Bobs
8. Caiu na boca do povo nas carrocinhas Geneal.
9. Agora o que eram as carrocinhas virou quiosque num shopping sofisticado.
10. Toda esta raça histórica que consumiu salsichas ao longo de seus quase 3000 anos iriam festejar o hot dog do Geneal de hoje...



quarta-feira, 31 de julho de 2013

O RIO NÃO TEM EXPLICAÇÃO.E SE VOCÊ BUSCA POR ELA É QUE NUNCA VAI MESMO ENTENDER

POR MAIS QUE VOCÊ QUEIRA UMA EXPLICAÇÃO LÓGICA PARA O SUSO DO PAPA FRANCISCO NUMA CIDADE ESTREANTE EM MEGAPROTESTOS NÃO VAI ACHAR.

DEVE HAVER UMA ALMA CARIOCA MESMO.

AQUI COMEÇOU A PRÓXIMA GRANDE EVOLUÇÃO DA IGREJA CATÓLICA NO MUNDO.

VAMOS ACOMPANHAR OS PRÓXIMOS PASSOS...

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Gênio da Lâmpada existe. Você pode fazer TRÊS PEDIDOS A ELE. EM CINCO MINUTOS. O QUE VOCÊ VAI PEDIR?

O QUE ESTÁ ACONTECENDO AGORA NO BRASIL - MUITA GENTE PEDINDO MUITA COISA - JÁ SE PRENUNCIOU NO OCCUPY WALL STREET.

O MUNDO ESTÁ CANSADO DE VIVER DE EXPECTATIVAS, QUER VER REALIZAÇÕES. TANGÍVEIS AO ALCANCE DE SUAS MÃOS.

ISTO FOI SEMPRE UM CAMPO MÁGICO. 

O GÊNIO DA LÂMPADA DO ALADIM ERA O ÚNICO RECURSO PARA OBTER ESTES MILAGRES POR UM PASSE DE MÁGICA.

AO VER O QUE ESTÁ SENDO PEDIDO POR TODOS OS PARTICIPANTES - INCLUSIVE OS BANDIDOS QUE PERCEBEM COMO FICOU FÁCIL ROUBAR NUMA ATITUDE POLITICAMENTE CORRETA - SONHEI COM UM GÊNIO E ELE ME SUBMETEU AO DESAFIO:

- ESTOU AQUI CARA, E ESTOU PRONTO A ATENDER A TRÊS PEDIDOS SEUS. TEM DE SER EM CINCO MINUTOS SENÃO EU SUMO E VOCÊ PERDE A CHANCE !!!

PASSO O PROBLEMA PARA VOCÊ 

QUAIS SÃO OS SEUS TRÊS PEDIDOS?

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Na Holanda , a maldição da prece atendida. O QUE FAZER COM TANTAS BICICLETAS?


A Holanda ocupa um lugar privilegiado na nossa percepção do mundo.

A começar pela ideia de que tudo aqui seria diferente se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses.

Dou graças a Deus, sempre que ouço este desejo frustrado de pessoas que acham que os portugueses foram muito inadequados.

Não foram, mas isto é outro papo.

Vi hoje esta foto no NYT e perdi a matéria em que os holandeses estão chegando à conclusão de que há um momento para parar com a compra, uso e valorização da bicicleta.

Uma foto vale mais do que 1000 palavras.

Se quisessem me submeter a uma tortura infernal bastaria me obrigar a fazer a busca de minha bicicleta neste mar nunca dantes navegado.

A minha questão é se no devido tempo uma coisa como esta poderia acontecer por aqui.

Se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses garanto que já estaríamos de bicicletas até o teto.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Cafés do Rio mudaram muito e chegaram hoje ao Starbruck

O Rio de Janeiro no século 20 foi a grande cidade dos cafés.

As pessoas os frequentavam até para tomar café. Mas, na verdade, a vida da cidade girava em torno deles.

Mas, a evolução do café que passou pela liquidação dos cafés em pé.

Já havia deixado de lado os cafés sentados alguns anos antes.

Toda a criatividade carioca em ter trazido os cafés para o Rio sumiu ao administrar a sua evolução.

A evolução dos cafés desaguou no Starbruck. e nos seus congênres menos badalados.

O hábito de tomar café e conversar deixou de ser uma prática carioca.

E foi substituida porque novos hábitos?
 
 
 
 
Era diferente e sofisticado.Parecia eterno, mas como tudo perdeu o brilho inicial. O que substituiu os cafés do Rio?

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O avô da Estela e a ação subversiva dele na formação dos netos. Acho que esta é a melhor coisa que os avós podem fazer...

A Estela Menezes com quem tive o prazer de trabalhar há muito tempo e de poder continuar trabalhando como se este ciclo nunca tivesse sido interrompido me mandou um e-mail genial sobre o aeroporto Santos Dumont.

Respondi contando as minhas lembranças sobre o aeroporto e a Estela me retornou  contando as suas lembranças infantis com o seu avô que já se revelava diferente ao ser identificado como avô Barros.

Ele não parecia gostar de seu nome de batismo e adotou o sobrenome como nome e pelo que ela conta no seu texto anexo o velho Barros usou desta liberdade diante de todas as coisas que lhe aconteceram na vida e que podiam ser alteradas, bastando usar a imaginação..

Acho que você, como eu, vai ter pena de não ter convivido com o avô Barros...



A pergunta pode ser mais direta: quê tipo de avô você é? Acho que todos os que chegamos neste estágio temos muito a aprender com o Barros...


Se ganho na feira feijão, rapadura, pra que trabalhar?


Já vim da aula com elas atrás de mim. Em casa, do Google, saíram mais algumas: Pra que mentir? Pra que fumar? Pra que brigar? Pra que sofrer? Pra que tanto lero lero? 

E não é que fui agarrada logo por essa De papo pro ar?

Agarrou e me levou com ela até os tempos de eu pequena, no Maracanã, casa do meu avô que adorava o disco, presente dos colegas de trabalho quando se aposentou.

E a vitrola tocava e tocava Não quero outra vida, pescando no rio de Gereré... Mas o meu avô, que nunca pescou na vida, gostava mesmo era de inventar coisas pra encantar a gente.

Como naquela vez em que, cheio de mistérios, convocou toda a criançada pra pegar moscas que ele em seguida fez afogar numa vasilinha com água e, no meio da maior surpresa, ressuscitou com um pouco de farinha de mandioca!

Depois, jurou que foram as rezas e bênçãos que tinha aprendido no seminário, e deixou a gente muito tempo pensando que tinha um avô bruxo ou santo, sei lá. (Só bem mais tarde, por acaso, descobri a explicação científica pro “milagre”. Que talvez até possa lhes revelar, pra vocês  encantarem também seus netos e sobrinhos.)  

No dia a dia, contava histórias do Boca Negra, o cachorro dele que fazia qualquer outro bicho parecer tão bobinho e sem graça... Ou ficava ensinando a gente a rimar e metrificar, porque dizia sempre que ainda ia ter um neto – ou neta – poeta. E quando ventava? Não sossegava enquanto não convencia alguém de que aquelas árvores enormes do morro em frente eram gigantes curvados, cansados de tanta subida...


Outra vez, fui com meus pais e irmãos morar fora do Brasil. No meio da choradeira das despedidas, vovô nos prometeu solenemente que cuidaria muito bem da nossa cachorrinha, mandaria sempre notícias dela.

Algum tempo depois, eis que recebemos um envelope gordo, cheio de fotos da Tiroleza amamentando um monte de gatinhos que, segundo o vovô, ela havia acabado de ganhar! (Até hoje tenho aquelas fotos. Só a magia é que eu não sei aonde foi parar...)

Ah! Não era nada fácil ter um avô assim... Todas as crianças tinham avôs que se chamavam Paulo, João, Felício. Mas o nosso, a gente era obrigado a chamar de Vovô Barros, porque ele não gostava do nome dele que era Benedito e a gente morria de rir.

Quanta saudade! Pra que fui lembrar, meu Deus, se não sei tocar viola e nem tenho papo pra virar pro ar? 

“Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade
Me atormentar
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar”


Nota do Autor: Pra quem não conhece e também pra quem conhece, recomendo googlar a música De Papo pro Ar, e se deixar seduzir pelo Ney Matogrosso.

                                                                                       Estela Menezes . abril 2013.



sábado, 20 de abril de 2013

São só 1200 anos luz de distância. \\\a notícia de 17 000 anos luz estava MUITO errada!

Enrico Fermi, o físico italiano que foi um dos pais da bomba atômica em 1945 formulou uma pergunta até hoje sem resposta.

- Estaremos sozinhos no Universo?

Bilhões de galáxias, bilhões e bilhões de estrelas a distâncias já medidas por nós na Terra 17 bilhões de anos luz de distância ... é difícil admitir que não haja vida em outros pontos do Universo.

Cientistas agora descobriram pelo material coletado pela sonda Kepler que há pelo menos dois planetas que teriam condições de ter vida como a Terra abriga.

É meio longe: 1200 anos luz de distância - ou seja a imagem que hoje recebemos destes possíveis planetas saiu de lá no ano de 813 d.C de nosso tempo terrestre.

Se a velocidade da luz é o limite, é inimaginável pensar numa expedição até lá.

Imaginemos uma estação espacial gigantesca - um mundo artificial - esqueça a ideia limitada de satélite.

Povoe este planeta artificial e impulsionemos o objeto em direção ao passado , suponhamos numa velocidade próxima à da luz no vácuo.

Seriam necessárias umas 4000 gerações de astronautas que a tripulem, que tenham filhos, netos etc para ao fim de 4000 gerações chegarem até o planeta.

O que é fantástico é que a nossa especie humana minúscula e com a vida tão curta seja capaz de ao simplesmente observar uma estrela distante a 1200 anos luz ser capaz de mensurar as mudanças no seu brilho provocado pela passagem dos planetas diante dela, reduzindo o seu brilho  e nos dizendo que  está lá.

Para todos os fins práticos a indagação de Fermi continua sem resposta.

Para todos os fins estamos sozinhos em nosso planetinha azul.

E se isto é mesmo o nosso destino temos de comemorar muito, pois a nossa especie empreendedora  é capuz de fazer estas descobertas.

E talvez só consiga chegar a estas deduções com a ajuda de Deus, que neste caso seria mesmo a maior conquista de nossa inteligência.

Ou seria exatamente o contrário?

sábado, 16 de março de 2013

Chicletes não grudam nas pedras portuguesas...

Já defendi as pedras portuguesas como as calçadas ideais para o Rio de Janeiro, apesar de queixas diversas quanto à sua manutenção.

É como queixar-se dos automóveis porque há muitas batidas, derrapagens, capotagens e mortes.
CALÇADA DA AVENIDA ATLÂNTICA FOTOGRAFADA AO ACASO. ONDE VOCÊ VÊ UM CHICLETES?

O problema das pedras portuguesas é a conservação.

No Leme, há pouco mais de um mês, uma agência do Bradesco foi autorizada fazer uma calçada de cimento  - "como em Nova York..." e o resultado da cópia está lá para que quem queira ver.

A calçada foi até pintada de cinza para parecer melhor, mas hoje está respingada de chicletes cuspidos.

Exatamente como as calçadas de Nova York...

Enquanto constatava o novo nojo constatei a falta de chicletes cuspidos nas calçadas mal conservadas de pedra portuguesas; Nas pedras portuguesas os chicletes que colam em tudo o que é lugar, não grudam.

Numa cidade com calçadas de pedras portuguesas não se vê esta nojeira.

Se em Cingapura eles soubessem disto ninguém com chicletes  no bolso seria preso no aeroporto assim como quem ousasse cuspir um chicletes na calçada não seria castigado com bastonadas.

Portanto o Liberdade Carioca aconselha : conservem as pedras portuguesas, mantenham a cidade bela e nos poupem dos chicletes nas calçadas que são muito nojentos!!!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tô com fome! Vai na rua , mata João Gome, que é um bom home e come!






O bem-te-vi tem muito mais a ver com o Brasil do que você podia pensar até agora!

Antes do século 20 e do crescimento das comunicações havia a ritualização de praticamente tudo.

Conselhos e ditos populares eram tão previsíveis quanto eram ritualmente falados em versos.

Antes de chegar ao João Gome, deste post peço a sua atenção para o caso do Bem-Te-Vi.

O Bem-te-vi é um passarinho, que já estava no Brasil quando os portugueses aqui chegaram e já descrito por Pero de Magalhães Gandavo , em 1600. O bdem-te-vi recebeu o seu nome na ritualização de um costume intensamente praticado pelos colonizadores: a denúncia dos pecados alheios. Sendo o roubo um dos mais graves.

Antonio Vieira em um dos seus mais atuais sermões denuncia o roubo e diferencia o ladrão comum do grande ladrão também no Século 17.


Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo, não são aqueles miseráveis, a quem a
pobreza e vileza da sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou
escusa ou alivia o seu pecado, como diz Salomão...

O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo procedimento distingue muito bem São Basílio Magno... não são só ladrões, diz o Santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e
dignamente merecem este título, são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões,
ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com
força, roubam e despojam os povos.

Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco estes sem temor, nem perigo: os outros,se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: 

Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos.

Ditosa Grécia, que tinha tal pregador! E mais ditosa as outras nações, se nelas não padecera a
justiça as mesmas afrontas.

Vieira nos anos 1600 denunciava os ladrões numa terra imensa em que o roubo era dos menores dos pecados.

O Santo Ofício sem a sanha demonstrada na Europa buscava os pecadores diversos para a excomunhão ou para penas mais suaves que só podiam ser impostas àqueles que às escondidas cometiam pecados nefandos contra a castidade. E as Leis de Deus.

O canto do Bem-te-vi, um passarinho presente em todo o Brasil, passou  a ser entendido como uma indicação aos pecadores de que não estavam tão escondidos quanto pensavam.

O passarinho "sabia" o que estava acontecendo e quem estava de fato fazendo alguma coisa pecaminosa levava um grande susto quando ouvia:

- Bem - te - vi!

Antes da antropofagia de comer o João Gome há uma outra palavra indígena que todos nós aprendemos nos primeiros meses de vida:

Mingau.

Mingau é uma palavra indígena que já estava em uso quando os portugueses chegaram à costas do Brasil.

E já era uma iguaria cuja explicação etimológica se revela na wikepedia: "Mingau" vem do tupi minga'u[1], "o que alguém empapa". Originalmente, era uma pasta espessa utilizada também em rituais, muitas vezes feita com as vísceras dos prisioneiros sacrificados pelos índios Tupinambás.[

Não era originalmente nem de maizena, nem de aveia. Era das vísceras dos sacrificados nas tribos.

O que explica também a cantiga do Lobo Mau ""que pega as criancinhas para fazer mingau".

A resposta rimada para as criancinhas que diziam às suas babás que estavam com fome tem várias versões todas na mesma linha.

No meu caso era:

- Tô com fome.
- Vai na rua, mata João Gome, que é um bom home, e come!

É uma ordem que não podia ser cumprida diante do passarinho que a denunciasse com o grito de bem-te-vi.

Se não o Santo Ofício podia pegar você. Ainda bem que inventaram a televisão e acabaram com o costume de dar conselhos como estes às criancinhas. Ou não ?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Você é NORMAL? O que é exatamente ser NORMAL?








Uma inspiração do Huxley

Quarta feira de cinzas dia 13 de fevereiro de 2013. O Papa Bento anunciou que vai renunciar dia 28 de fevereiro. O Carnaval acabou, o Brasil elegeu os presidentes da Câmara e do Senado contra a opinião pública manifestada.Há um abaixo assinado com mais de 1 milhão de adesões pedindo a cassação do Renan.

O Brasil vai bem, meio desconjuntado como um barraco numa favela antiga, mas ainda de pé. Mas vem chuvas por aí e a instabilidade das encostas é óbvia. Pode ser que nada aconteça, mas uma nova falha na análise dos novos rumos do mundo pode ser fatal. Uma parceria entre EUA e União Européia deixando de lado o Brasil pode-nos tirar de muitas jogadas para a frente.

Depois volta, mas enquanto isto vamos ter de aguentar a dureza dos passos para trás...

Momentos complicados para garantir a nossa própria normalidade... Isto tudo que está acontecendo pode ser classificado como NORMAL?

Carnaval para quem não é um folião é uma ocasião boa para pensar sobre a vida, imaginar próximos passos, próximas atividades, próximos projetos que evidentemente não dependem somente de nós. Como num tabuleriro de xadrez imaginamos como as nossas próximas jogadas poderão ser respondidas pelo oponente. Só tem que o oponente na vida real é mais sério do que o do tabuleiro.

Para começar ele não é um só. Na vida o xadrez é uma partida simultânea a ser jogada com graça e confiança que só a alegria de jogar pode proprocionar...

Tudo até agora, neste novo ano. foi como uma preparação, um esquenta, para o ano que vai começar na semana que vem.

A pergunta do título é justificada diante da mudança em contínua evolução do comportamento humano em vários - todos - os lugares da Terra. Diante da perplexidade diante das ferramentas para mensurar o que fazemos.

Como os manometros em submarinos mostrados em filmes só sabemos que há novos perigos quando as agulhas alcançam área marcadas em vermelho e começam a soar alarmes.

Será que nós todos temos os manômetros certos para avaliar se está tudo dentro da normalidade?

Por ter a certeza de que estamos co manômetros tão obsoletos quanto filmes de submarino em que eles anunciam os perigos é que convido você a um mergulho profundo nos mares de 2013 para juntoa analisarmos os riscos e necessidade de novas formas para avaliar a normalidade.

Normal é o que segue as normas vigentes. Vigentes onde a pessoa esteja, ou viva. As normas vigentes numa floresta devem estar em absoluta sintonia com as Leis vigentes no país em que esteja a floresta. Leis que não foram necessariamente votadas pelos "povos das florestas" que não as respeitam nem aqui nem na maioria das florestas espalhadas pelo mundo.

Em Paris há uma barra de platina iridiada é o padrão para o metro.Exatamente um metro... Foi uma decisão francesa ter no seu Instituto de Pesos e Medidas um metro padrão e ter o trazer de vê-lo adotado por um mundo cheio de medidas ilógicas e impossíveis de ser conciliadas. Pouco a pouco a normalidade do sistema decimal e das medidas nele baseadas tomou conta do mundo.

A norma passou a ser o metro, o quilo, o hectare, etc. Hoje a definição do metro não requer uma ida a Paris para comparar com a barra de irídio. Metro hoje é uma unidade de medida de comprimento que tem como base a padronização das dimensões da Terra integradas aos sistema numérico decimal ou seja, para se encontrar um metro é preciso fracionar os 90º correspondentes ao quadrante de um meridiano terrestre em 10.000.000 partes iguais e uma delas terá o mesmo comprimento de um metro.

No entanto, por motivos de mais precisão, já que a terra não poderia ser uma esfera perfeita, o metro padrão ficaria aferido "pelos institutos de pesos e medidas" como sendo "o mesmo comprimento, equivalente a 1 metro, percorrido pela luz no vácuo, durante o intervalo de tempo correspondente à 1/299 792 458 segundo" (unidade de base ratificada pela 17.ª Conferência Geral de Pesos e Medidas em 1983).

Todo este esforço para fugir à maluquice de depender da medida do polegar de um rei que passava a ser o padrão das polegadas, como os pés, as braças e outras medidas derivadas do corpo humano de algum humano tomado como referência.

A normalidade do sistema decimal dominou o mundo, mas as telas dos televisores continuam a ser medidos em polegadas, e até pouco tempo as dimensões das geladeiras ainda era medida em pés (cúbicos) enquanto no interior do Brasil as léguas ainda sejam referências em relação a distâncias.

Ninguém consegue imaginar um televisor de 1 metro de tela, mas sabe imediatamente as dimensões de uma tela de 52 polegadas...

A normalidade que todos temos em relação às telas dos televisores está registrada em nossas cabeças métricas em polegadas...

No Brasil vemos nos noticiários da televisão as práticas criminosas de desmatamento - sempre medidas na unidade "campos de futebol" - e as ações das autoridades para coibir aqueles desmatamentos.

Portanto não deveria haver dúvidas de que desmatar florestas, para o que quer que seja, é uma atividade criminosa e portanto ANORMAL.
É uma atividade anormal sob qualquer critério.

No entanto na sua anormalidade é considerada "normal" para os desmatadores e para as suas famílias, que vivem com as receitas obtidas nestes desmatamentos.

Também passa a ter a sua anormalidade ignorada por quem negocia com eles. Desde dos que vendem ferramentas, veículos, material de construção, alimentos para os operários.

É também se torna atividade "normal" para as prefeituras e governos estaduais e federal que consigam recolher impostos sobre as vendas.

Como o governo é uma manifestação democrática do povo, passa a ser algo também normal para o povo.


Ao deixar de lado a questão da normalidade o desmatador também torna anormais todas as operações "normais" que possam estar relacionadas com a prática de sua anormalidade.

TUDO ISTO POR QUE A VIDA SE FAZ EM SOCIEDADE.

NÃO É POSSÍVEL FAZER COISA ALGUMA SEM O ENVOLVIMENTO DE OUTRAS PESSOAS, DE OUTRAS ORGANIZAÇÕES, SEM A PARTICIPAÇÃO DO ESTADO E DA SUA ADMINISTRAÇAO.


Mais perguntas sobre normalidade e anormalidade:

Um movimento feminino surgido na Ucrânia - o Femen - se apoia numa "anormalidade" social (mulheres com o busto nu, com os seios de fora, e com mensagens escritas em seus corpos, protestando enfaticamente sobre os temas mais diversos.

Hoje elas na França invadiram a Nôtre Dame para criticar o Papa por sua renúncia e por ser quem ele é. Ou quem ele tem sido.

O protesto feito por um grupo de mulheres com os seios de fora e que se recusam a cobri-los ou a sair do local onde estão por sua livre e espontânea vontade - torna os seus protestos em notícia no mundo inteiro. A anormalidade de sua maneira de vestir garante o acesso às páginas dos jornais e aos noticiários da televisão. Fizessem elas o mesmo protesto da maneira normal de fazer protestos com cartazes e discursos sua ação seria ignorada, pois o direito de espernear é assegurado mesmo no países mais fechados como a China.

Numa tribo no Araguaia as mulheres com os seios de fora não causariam qualquer impacto. As índias adotam esta indumentária até mais radical, e adotam desenhos sobre os corpos como maneira de ser "normal" no grupo onde vivem...


Se o tempo estiver bom, ensolarado, vá à praia, hoje.


Em fevereiro de 2013 os trajes adotados pelas mulheres levaria para a cadeia as mulheres de 1913 que ousassem dar um salto de 100 anos à frente , se tivessem tido uma inspiração para fazer isto.

O normal de 1913 não é o normal de 2013, nem na indumentária, nem na política, nem na ideologia, nem no comportamento social, nem noa meios de transporte, nem no relacionamento dos seres humanos com as suas religiões.

O ser humano no entanto é exatamente o mesmo aqui em 2013, ao ser humano de 1913, de 1912 a.C aos seres humanos da Ucrânia, da Austrália, aos seres humanos do Araguaia.

O que muda radicalmente é o que os que se preocupam com isto é o que um grupo que se considera normal (em todos estes lugares) procura identificar como anormalidades.

Mais do que dizer que alguma coisa é anormal este grupo procura tornar ilegal - passível de punição - os desvios na normalidade por eles almejada.

As anormalidades são coibidas pela polícia que avança sobre as mulheres do femen para retirá-las a força de onde estão com cuidados para não tocarem em seus seios, nem as agredirem com cassetetes para conduzi-las a uma delegacia onde deve ser iniciado um processo contra cada uma delas, que deve ser levada a um tribunal, em que ficando comprovado o desrespeito às normas de conduta vigentes elas deveriam receber suas penas pela atitude de exibir seus seios em público.

Um juiz, presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Pedro Vals Feu Rosa teve publicado no dia 13 de fevereiro de 2013, seu artigo " O fim das prisões" , no jornal O Globo em que reúne informações preciosas sobre a questão da punibilidade dos atos anormais nos sistemas prisionais do Brasil e do Mundo:ele acha que as prisões modernas não servem para o fim previsto e devem ser radicalmente modificadas.

O juiz escreve sobre um tema presente todos os dias de suas vida. Ele manda para a prisão, ou mandar liberar presos que na sua visão já não precisam ficar confinados. Ele não opina sobre um tema teórico, ele age sobre uma realidade diária.

Demonstra ele que o número de apenados nos Estados Unidos, no Japão, na França, Inglaterra, Venezuela, Colômbia, Rússia, China aumenta em proporções geométricas em relação às populações. Coisas de 100% a mais de presos enquanto a população cresceu menos de 10% ao longo das últimas décadas.

Os crimes aumentam, aumentam as condenações, aumentam as despesas que a sociedade paga - sob a forma de impostos - para manter estes presos nas cadeias. Uma despesa que tem por objetivo recuperá-los para a vida harmônica em sociedade.

Nos Estados Unidos pela primeira vez diante da eficiência na apuração de todos os custos alguns estados decidiram reduzir as calorias nas refeições para os presos de 2800 para 2500 calorias por dia.

Vão comer menos, engordar menos, custar menos dinheiro ao contribuinte.

O que era "normal" e portanto aceito pelas sociedades mais evoluídas até o início do século 19 era que os comportamentos anti-sociais , como furto, roubo, agressão , sem falar do homicídio , deviam ser punidos com sofrimentos físicos públicos e marcantes aos criminosos.

Marcação com ferro em brasa, mutilação de dedos, mãos, chibatadas cujo número determinava as possibilidades de sobreviver, passagens de marinheiros amarrados sob os cascos dos navios causando afogamentos, ou mutilações pelos cortes em cracas, pelourinho , etc.

Dez chibatadas com um chicote imundo, antes da descoberta da penicilina e de anti-inflamatórios era de fato uma condenação à morte dolorosa por uma inflamação generalizada poucos dias depois das chicotadas.

A sociedade como um todo convenceu-se de que as atitudes anormais dos cidadãos deviam-se a falhas na sua educação. Que poderiam ser corrigidas em casas de correção.


A ida para as prisões - mantidas e sustentadas por todos os cidadãos - visava a recuperação dos bandidos para torná-los seres humanos "normais" ao fim do período em que estivessem afastados do seu ambiente e entregues à competência dos agentes do estado.

Ganhariam uma profissão, aprimorariam sua visão ética da sociedade e poderiam sair de lá como indivíduos melhores do que tinham sido até a condenação.

Dois séculos depois desta mudança no tratamento dos criminosos com o seu comportamento anormal contrário ao convívio com uma sociedade organizada o que o juiz capixaba constata é a inutilidade da prisão para o fim para o qual foi concebida.

O comportamento "anormal" dos apenados é muito pouco modificado após o cumprimento das penas. A volta ao crime , os mesmos que os levaram à prisão, é retomado e 60% dos que cumpriram penas voltam a cometer os mesmos crimes.

Um novo processo, uma nova condenação tem como maior benefício para a sociedade o afastamento de uma pessoa com o comportamento anormal der seu meio durante um certo tempo. E esta tem sido a lógica para justificar o aumento de presídios no mundo inteiro. Criar mais lugar para manter longe da sociedade - por um certo tempo - todos que tiveram comportamento anormal.


Aos 20 anos, como repórter do Diário de Notícias do Rio de Janeiro entrei numa penitenciária sublevada e entrevistei muitos presos. Para meu espanto juvenil nenhum deles se via como culpado merecedot da sentença a que estava condenado. Tinham de cumprir o período por decisão injusta das autoridades. E tratar de sair dali o quanto antes.

DE ONDE VEM OS COMPORTAMENTOS ANORMAIS?





Para julgar qualquer ação humana temos a necessidade de buscar termos de comparação com a própria sociedade em que vivemos ou com outras que nos sejam mais próximas ou mais conhecidas.

O nosso direito brasileiro tem suas raízes no Direito Romano. A Europa é a origem de grande parte dos brasileiros, com antepassados portugueses, espanhóis, italianos, alemães para nos fixarmos nos mais numerosos. É lógico, portanto que ao analisarmos o que é normal e o que é anormal recorramos ao que ocorre e ocorreu nos séculos passados na Europa.

Os anos de existência dos vários países, as suas universidades seculares, as suas artes, a sua ciência foram sempre exemplos a serem seguidos em nosso sistema educacional.

No Carnaval encontrei um livro publicado em 1938, pelas Editions Rieder, de Paris: "Essaie d'une Histoire Comparée des Peuples de l'Europe" . O autor muito bem sucedido e respeitado na ocasião - antes da Segunda Guerra Mundia, é Charles Seignobos, que alcançou o sucesso com um outro livro "Histoire sincère de la nation française".

O que prende a atenção no livro de Seignobos é a sua preocupação em não se deter nos países da Europa. O que ele fez em seu livro foi identificar os povos - as tribos - que formaram os países da Europa e examinou as suas origens.

O que deveria ser normal jamais foi uma unanimidade naquela parte do mundo cujos povos emigrados da Ásia tiveram os seus comportamentos alterados conforme a região em que ao longo dos séculos foram de estabelecendo.

Os que foram parar em vales férteis que propiciavam o cultivo de grãos, mesmo sem muito esmero, estabeleceram vilas, mercados e trataram de defender-se dos nômades que criavam animais que precisavam ser alimentados e se dedicavam a atacar os campos onde podiam achar pastos tivessem eles donos ou não.

A geografia antes de qualquer outro fator propiciou a formação de povos empreendedores, sugeriu as religiões que justificavam as suas atitudes diante deles próprios e diante dos estrangeiros.

Estruturaram as suas línguas,incentivaram os seus artistas, justificaram as ações de seus líderes.

Como denominador comum dentre os povos que formaram nacionalidades bem sucedidas o adjetivo mais repetido é aguerrido.


Sobrevivia quem dominasse o seu vizinho sem se ater a algum tipo de lei , regra geral . As "Leis" só deviam valer - segundo as ordens dos seus chefes - para o seu próprio agrupamento humano.

Ninguém podia ser diferente nem contraditório com as condições de sua região.

A evolução do uso de instrumentos de pedra lascada para pedra polida tomou séculos, e continuou com a adoção do metal, cobre e bronze tornando mais poderosos os povos que deram estes saltos na utilização de ferramentas que davam a eles mais poder para atacar e mais poder para defender-se dos estrangeiros.

O que podia ser visto como normal no norte da Europa não poderia ser aplicado aos povos que viviam às margens do Mediterrâneo.

Esta busca, ou esta descoberta, da necesidade de uma sintonia surgiu somente quando alguns grupos começaram a especular sobre a razão de sua existência e pouco a pouco chegaram aos deuses.

A vida era um mar de incertezas, e todos que por algum motivo conseguiam prever ou antecipar o que estava por acontecer mereciam a fé dos seus concidadãos.

Dos que definiam o que seriam as boas coisas que iriam trazer mais felicidade para o grupo o passo seguinte - entre amuletos e sinais propiciatórios - formaram-se religiões. Na maioria delas os atos propiciatórios de sucessos implicavam em sacrifícios de vidas, de animais, de homens e de produtos originados na natureza.

Isto além de ser normal passou a ser um padrão de normalidade a ser respeitado e sequer questionado pelos não iluminados.

Deu muito mais certo do que foi prejudicial. As regras estabelecidas - por mais estranhas que possam nos parecer hoje - impulsionaram a formação de sociedades onde a vida não precisava ser vencida a cada dia.

Havia em torno de 2000 anos antes da era cristã incontáveis religiões e crenças difundidas entre os diversos povos em que temos as nossas raízes.

Do mesmo modo que a história é escrita pelos vencedores e não pelos derrotados no confronto das inúmeras religiões tiveram mais sucesso as religiões que empolgavam mais pessoas dispostas a matar ou morrer por suas crenças.

A principal diferença no que diz respeito às religiões em comparação ao domínio militar estava na sutileza do território a ser conquistado: a mente humana.

A MENTE HUMANA CONTINUA A SER O ÚNICO TERRITÓRIO A SER CONQUISTADO AO LONGO DE TODOS OS ANOS DA EVOLUÇÃO DO GÊNERO HUMANO

Para um leitor assíduo da grande imprensa brasileira, que mantenha uma sintonia intelectual com os jornalistas que diariamente derramam verdades e mais verdades para exame dos leitores é inconcebível a atitude desrespeitosa de políticos em relação ao que todos os leitores vêem como a normalidade.

"Como esta gente tem a cara de pau de aparecer nas ruas revelando o seu desprezo pela opinião pública? "


Do outro lado , tal como os presidiários que entrevistei como repórter de 20 anos, não tenho dúvidas de que todos os culpados, acusados, indiciados, condenados ou em julgamento se consideram absolutamente normais.

E atacam com furor a fonte da sua condenação diante do público: a imprensa.

Pois se não fosse pela imprensa quem poderia ter conhecimdento da versão dos fatos insidiosos que ela própria lhes atribui.

A imprensa na sua visão desenha um cenário em que a culpá dos mal feitos lhes é aplicada de maneira canalha. Os fatos insidiosos só o são por que a imprensa os fez ser considerados como tal.

Lembro de um escândalo denunciado na Argentina - não precisamos falar do Brasil - quando Peron foi deposto em setembro de 1955 era visto como um salvador da pátria por seus concidadãos.Apesar de todas acusações feitas contra ele de todos os pontos de vista.

Ele, inspirado por Eva Peron dedicara-se a criar casas de abrigo e apoio para jovens desassistidas e numa delas, conforme denúncias publicadas na época, mantinha jovens para o seu prazer sexual. Um escândalo que no entanto foi absorvido pela imprensa como denúncia oportunística sobre o dirigente deposto. Um pecadilho menor diante de toda a sua grande obra pelo país.

|O que dizer dos tiranos derrubados na Primavera Árabe ?

Todos estavam no poder port mais de duas décadas, mas as condições mutantes do mundo tornaram as atitudes vilãs - via imprensa, naturalmente - reprováveis por todos no mundo, em especial pelos dirigentes das grandes potências que com eles sempre conviveram como conviveram com Peron que abrigou nazistas fugidos da Europa após o fim da Segunda Guerra Mundial e acharam novo lar, novos trabalhos e novos apoios na Argentina.

A vida nos países árabes revolucionados na Primavera Árabe era normal para todos que os visitavam e com quem eles mantinham negócios.

TENHO MUITA RESISTÊNCIA DIANTE DOS ARAUTOS DA NORMALIDADE CONFORME CADA UM A DEFINA

Para chegar ao esconderijo de Bin Laden os americanos arautos da democracia recorreram a torturas que foram muito bem sucedidas.

Bin Laden foi localizado e morto no governo de Barack Obama um novo arauto indiscutível da democracia americana - que foi capaz de se eleger e reeleger presidente um mulato - que antes de 1965 lá mesmo nos Estados Unidos seria classificado e tratado como negro.

Tratado como negro era ser discriminado, não poder beber água no bebedouros dos brancos, nem mandar lavar as suas roupas em lavanderias destinadas a brancos, sem falar de que tinham de usar somente a parte de trás dos ônibus.

Esta atitude discriminatória era normal e aceita pela sociedade norte-americana até os anos 60 e impensável no Brasil desde a libertação dos escravos em 1888 que comeram o pão que o diabo amassou, mas produziu mulatos e negros como Machado de Assis,José do Patrocínio e Juliano Moreira.

E agora ?

Se em vez do Oscar no cinema se decidisse dar prêmios anuais para os países mais normais?

Quem se habilita como juiz ?

Jesus, nos evangelhos salvou a vida da mulher adúltera que na normalidade das leis locais deferia ser apedrejada até a morte para pagar o seu crime .


Pela importância do tema para justificar este post transcrevo integralmente o relato:

O capítulo 8 do Evangelho de João narra que Jesus foi para o monte das Oliveiras, e, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com Ele, e, assentando-se, os ensinava.

E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram sós Jesus e a mulher, que estava no meio. E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe:

Mulher, onde estão àqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais.



Portanto sugiro que diante do desafio de selecionar os países e povos, e nações, e dirigentes mais normais façamos o desafio reverso.

Quem tem a certeza de sua normalidade comece o julgamento. Também não vai sobrar ninguém.

Talvez creio, eu e você que leu até aqui.









quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O que você fala e o que eu entendo


Primeira condição para que alguém fale e outra escute é:

Falarem a mesma língua.

Falarem a mesma língua a partir de uma cultura comum.

Falarem a mesma língua com intenção de comunicar - da parte de quem fala - e de entender - da parte de quem ouve.


Há anos o Steinberg desenhou cartoons em que esta impossibilidade era tangibilizada.

Quando escrevo estes textos sempre me pergunto se estou sendo claro, e se ao ser claro estou sendo relevante.

Se nada disto importa, também não importa a compreensão de qualquer tema. Ou não ?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Todas as surpreendentes coincidências da história do Brasil...não foram coincidências

As novas terras portuguesas achadas por Cabral estavam situadas a menos de 370 léguas a oeste das ilha de Cabo Verde, pois somente as terras além desta distância seriam espanholas, como por exemplo as Américas descobertas por Colombo em 1492...

Caramba! Os portugueses passaram os anos 1400 navegando pelas costas da África, que mapearam trecho por trecho até que Bartolomeu Dias chegou em 1488 ao Cabo da Boa Esperança, a porta de entrada para o Oceano Índico, percorrido por Vasco da Gama, quase 10 anos depois até Calecute, abrindo oficialmente os caminhos marítimos para fugir das taxações e monopólios que elevavam o preço das “especiarias” ,vendidas na Europa a patamares inalcançáveis pela maioria absoluta da população.

Olhe para um mapa-múndi e veja a imensa distância entre Portugal e a Índia e se tiver paciência calcule a distância a ser percorrida. Era mais do que uma volta ao mundo. A ser vencida em embarcações de menos de 30 metros de comprimento. Com tripulações que precisavam se alimentar, receber os tratamentos médicos disponíveis e voltarem para Portugal com os bolsos cheios.

Todo este esforço hercúleo “apenas para importar especiarias sem pagar tantas taxas pelas rotas terrestres”?


Se no continente europeu a “necessidade” da higiene pessoal permanece ainda hoje como algo a ser mais popularizada (banhos semanais ou quinzenais, não são raros na França, Itália e Alemanha) o que se dirá da limpeza pessoal em embarcações em que a água tinha de ser reservada para o consumo acima de tudo?

As naus podiam ser pressentidas sempre que os ventos soprassem em direção ao litoral. Elas eram tão fétidas que hoje causariam engulhos em qualquer pessoa afeita a banhos, mas os seus tripulantes - a origem desta fedentina – não eram por ela afetados já que era geral – natural – e seria um motivo de espanto e talvez até de nojo se por acaso houvesse um navio sem este cheiro de navio...

No entanto as pessoas que compunham estas tripulações eram nos séculos XV e XVI uma seleção dos mais capacitados profissionais da navegação existentes no mundo.

Há a tendência de imaginarmos que os comandantes destas frotas eram os detentores isolados do conhecimento e que suas tripulações eram formadas por gente forte, com boa saúde, e que não podia pensar muito. Pois, se pensasse, cairia fora diante da imensidão e riscos de suas missões.

Esta percepção da ignorância dos tripulantes das grandes navegações é mais um tabu a ser desmontado. Qualquer dos embarcados quando sabia escrever podia se tornar autor de obras preciosas sobre viagens e sobre o mundo por eles acessado.

As embarcações portuguesas eram o máximo em evolução da engenharia naval na época Com as caravelas - os portugueses foram explorando baía por baía desde o Norte da África até o mais distante ponto ao sul em busca de dois objetivos: chegar às terras do Preste João e encontrar uma rota para as riquezas das Índias que fugissem das existentes terrestres e de seus pedágios.

O lucro das viagens por mar seria astronômico. Sem pagar um tostão no caminho e com os porões dos navios abarrotados de especiarias...Claro que havia o risco dos naufrágios, mas este estava presente para quem estivesse em qualquer mar...

As caravelas que tornaram estas viagens portuguesas possíveistinham uma característica única, especialíssima: as velas latinas,armadas de forma semelhante à dos modernos barcos a vela para competição: eram presas a um mastro por um de seus lados e ao contrário das velas grandes e redondas das outras embarcações, elas usavam a aerodinâmica para permitir navegar contra os ventos...

As velas latinas possibilitam navegar com um barco à vela contra o vento. Ou quase contra o vento. No mínimo 45° contra um vento de proa, podendo chegar a 35°. Deste modo “os bons ventos” que num navio com velas redondas não precisam ser apenas os que chegam a 90° do rumo pretendido. E muito menos apenas os ventos de popa.

Todas estas explicação náuticas estão aqui para evidenciar dois diferenciais competitivos dos portugueses: eles sabiam navegar contra ventos contrários (em zigue zague) indo com muito mais rapidez a seus destinos, e contavam com um tipo de embarcação tecnologicamente muito superior a todas as demais e que eles sabiam melhor do que qualquer marinheiro navegar.

Todo este conhecimento náutico não tinha sido obtido por acaso. Por mais estranho que isto possa parecer aos olhos de quem considere os portugueses como menos sofisticados – especialmente nestes tempos remotos – o centro mais sofisticado de pesquisas do mundo no século XV estava em Portugal. Ficou conhecida como Escola de Sagres, e o seu inspirador foi o Infante D. Henrique, que sem ter nunca velejado, entrou para a história com o nome de “Navegador”.

Há também alguns tabus em relação a esta escola, que não teria existido como Escola, mas como um centro de pesquisas que acolhia cristãos, muçulmanos e judeus, numa mistura explosiva para os padrões da época. Mas seu ambiente livre, libertário, encorajou a melhor pesquisa científica.

A cruz de malta nas velas portuguesas se originou na Escola de Sagres que foi dentre outras coisas o resultado da destruição da Ordem dos Cavaleiros Templários, em Malta cujos remanescentes foram abrigados em Portugal exatamente onde anos depois ficou “instalada” a Escola de Sagres.


Nova pausa para respirar...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Brasil não é tão diferente dos demais países ...por acaso

Como num texto de blog o redator ousa se meter num tema cuja exposição requereria um embasamento acadêmico de conformidade com todas as regras?

Explico e tento justificar: este texto refugia-se na informação jornalística. Este blog é dedicado a derrubar tabus. E está aberto – os comentários livres estão disponíveis para qualquer leitor interessado em refutá-lo, Apoiá-lo, comentá-lo.

Entenda esta postagem como um início de debate, mas leia o exposto a seguir e veja se nele não há indícios suficientes para justificar o título e a derrubada de mais um tabu.

É um tabu antigo com mais de 500 anos, mas como ele influencia a nós brasileiros até os dias de hoje merece uma revisão.

Convido você a dar um mergulho assistido em nossa história e na história do mundo.

Justifico este mergulho de mais de 500 anos com dois pensamentos do William Faulkner:

Facts and truth really don't have much to do with each other.

Ele escreveu isto nos anos 20, e poucas pessoas louvaram a sua afirmação que se tornou cada vez mais verdadeira nos anos seguintes. Os fatos e as verdades de fato nos provam todos os dias que não têm muito a ver entre si.
A segunda frase do Faulkner também da mesma época nos leva a pensar ainda mais profundamente:

The past is never dead. It's not even past.

Basta você analisar, qualquer que seja a sua idade hoje, como o seu passado permanece vivo dentro de você, influenciando mesmo quando você não fica remoendo o que fez... o que você faz hoje ou deixa de fazer.

Vamos então ao nosso mergulho de 500 anos ao passado:


Cabral chegou ao Brasil no comando de uma esquadra de 13 navios organizada para chegar às Índias contornando o Cabo da Boa Esperança, no sul da África, seguindo o percurso de outra pequena frota (de três navios) comandada por Vasco da Gama, dois anos antes.

Iria percorrer o caminho marítimo para chegar às riquezas da Índias fugindo dos riscos e das taxas para que as mesmas mercadorias poderem chegar à Europa pelas vias habituais, por terra e por mar, mas sem dar a volta oceânica pelo sul da África.

Mas a nova rota da frota de Cabral em vez de seguir os rumos habituais – ao longo da costa africana, incluíram uma navegação tão aberta para oeste que os levou ao litoral da Bahia. E ao “achamento” como o denominou o escrivão da frota Pero Vaz Caminha de uma Terra de Santa Cruz devidamente registrada como uma nova possessão dos portugueses por decreto papal em abril de 1500 tudo de acordo com o que estabelecia o Tratado de Tordesilhas assinado em 1494 entre os reinos de Portugal e Espanha dividindo as novas terras que estavam sendo descobertas entre os dois países, num documento também assinado pelo papa Alexandre V.

O que o papa tinha a ver com isto? A Santa Sé e o seu pontífice eram reconhecidos como os legítimos representantes de Deus na Terra.

Se o papa dizia que alguma coisa deveria ser feita de alguma maneira não poderia haver qualquer força humana para contestar.

Pausa para respirar. Pois este texto vai sair muito maior do que o previsto inicialmente...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Convite para derrubarmos Tabus:




A maior virtude de nosso novo mundo interconectado é a possibilidade de derrubarmos inverdades históricas.

Até poucos anos atrás qualquer pesquisa mais séria requeria deslocamentos internacionais, pesquisas em universidades e bibliotecas desde que você pudesse comprovar a validade de suas intenções, buscar livros, achar autores entrevistá-los e por fim chegar a poucas linhas de pesquisa séria.

Não é sem razão que hoje tantas "verdades" históricas estão sendo derrubadas.

Pra que fazer isto?

Por que não deixar os fatos antigos em paz e não mexer em vespeiros?

Afinal de contas o que vale é o que estamos vivendo agora.

O passado já passou e em nada poderá alterar a nossa vida hoje...

A resposta meio ilógica, meio arrogante, meio aberta a muitas críticas seria a mesma dada pelo Hillary sobre as razões que o levavam a querer escalar o Everest diante de tantos riscos e à inutilidade de tantos esforços:

- Porque ele está lá!

É o desafio de não aceitar inverdades e em nosso caso não permitir que estas inverdades possam orientar a nossa forma de pensar.

Mas, será que outros compartilham comigo desta aflição?

Vou criar um novo blog dedicado à derrubada de tabus.

Vou me dedicar à derrubada de inverdades - tabus - que me chamam mais a atenção.

E vou convidar a todos a proporem a sua derrubada de outros tabus, a contestarem também a todos os tabus derrubados pelos outros autores.

Vai dar muito trabalho, com toda a certeza ...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Você já fala Google sem sotaque?


Já andei dizendo que se os gregos do V século a.C vissem como funciona o Google iriam colocá-lo no Olimpo lado a lado com Júpiter e com os outros deuses.

Nunca houve algo tão poderoso na Terra, nem tão capaz de promover o progresso da raça humana, no toque de alguns botões.

O problema é que você e todos nós precisamos aprender TODOS OS DIAS as novidades do Google.

É uma tarefa que tornará insignificantes todos os seus esforços nos anos de estudo, desde as primeiras letras até o doutorado.

Todo o conhecimento do mundo existente ou em formação está à disposição de quem for capaz de usá-lo.

Vou dedicar este ano de 2010 a me tornar um experiente operador do Google.

Detesto a ideia de que estou vivendo este momento e não sou capaz de usar nem um décimo do que o Google pode me proporcionar...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Quando o You Tube estiver na sua TV o que vai acontecer com as TVs no mundo?




























Hoje mais ou menos 1 bilhão de pessoas vão acessar o You Tube de seus computadores.

As audiências dos programas de televisão, inclusive no Brasil, estão caindo e caindo ainda mais junto aos mais jovens.

Pela televisão, porém, o brasileiro assiste "grátis" uma obra prima quanto à produção, texto, atuação dos artistas, perfeita adequação quanto ao uso da mídia como vimos nos dois primeiros capítulos da novela Passione.

O You Tube que vinha também oferecendo "grátis" o mais completo acervo de imagens jamais imaginado no mundo, está começando a oferecer atrações pagas; coisa de menos de um dólar até perto de 6 dólares por programa.

Não conheço jovens - que acompanham séries de tv norte-americanas - que não as assistam antes da exibição na televisão baixando os capítulos no momento em que eles são disponibilizados na rede.

Logo, sem precisar usar mais do que dois neurônios, dentro de pouco tempo o normal será assistir o que cada um quiser na tela cada vez maior do aparelho de televisão, deixando para a tv transmitida por emissoras para as tarefas que lhe sejam mais adequadas.

Esportes, noticiário interpretado, e uma crescente interatividade.

Mas, quem vai pagar esta festa?

Os custos serão menores ou maiores do que os hoje existentes?

Caramba! Quanto custa cada capítulo de uma novela como Passione?

Como aferir o ROI de um comercial destinado a gerar lucros para um programa de alto custo para audiências menores ano após ano?

Estamos diante de uma bicicleta, acabada de ser inventada, que ninguém ainda sabe como andar, nem mesmo só para montar.

Sugiro que os próximos passos sejam dados em relação à interatividade.

A interatividade, porém, requer a transferência do poder de quem sempre foi a voz ativa para quem tem sido sempre a audiência passiva.

Coisa muito difícil, pois no momento em que a audiência se torna ativa ela passa a dar as cartas.

Aguarde, como eu aguardo, os próximos capítulos que serão imperdíveis.

Mas torne a sua audiência tão ativa quanto possa.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Mundo está pronto para ouvir o que você tem a dizer. Sugiro você enviar o texto para pioborges@yahoo.com



Diante de tanta beleza você tem algo a dizer? Então diga!


Tenho a certeza de que a terceira lei de Newton - toda ação corresponde a uma reação igual e contrária - não se aplica somente à física; ela se aplica ao dia-a-dia de todos nós.

É impossível acontecer algo (bom ou mau) sem que as pessoas opinem formal ou informalmente avaliando se aquilo foi bom ou foi mau a partir de suas próprias vivências.

Se houvesse a possibilidade de uma viagem no tempo – para qualquer tempo – e cada um de nós chegasse lá como “testemunha ocular da história” não haveria quem não desse uma nova interpretação ao que estava ocorrendo.

E devido a esta miraculosa visão de perto a possibilidade da história ser reescrita com a sua visão particular seria uma certeza.

Se você visitasse qualquer lugar em que a história foi escrita, aposto que ela seria virada de cabeça para baixo.
No entanto todos temos hoje, sem precisar viajar no tempo, a possibilidade de julgarmos e opinarmos sobre tudo o que ocorre da maneira mais livre já imaginada.

E estamos com a faca e o queijo, ou com o teclado e o mouse, nas mãos para dizermos para todo o mundo o que realmente está acontecendo. Ou não?

Já há uma legião de pessoas no Brasil que se manifesta todos os dias na seção de cartas da imprensa e nos comentários ao que é veiculado pela Internet.

Mas isto ainda é pouco. Você tem direito de ir bem mais longe.

Diante de tanta fartura de acessos a nosso alcance muitos e muitas evitam a participação no debate,” pois tanta gente já está fazendo isto que talvez não valha a pena ser apenas mais um”.

A julgar por alguns comentários publicados em sites há uma justificativa para a timidez: uma boa parte dos comentaristas não têm muita intimidade com a língua portuguesa.

Não se trata de demonstrar condições de entrar para a Academia, mas de saber a diferença entre o “a”preposição do “” verbo, o caso mais difícil, sem falar de palavras que mudaram de grafia ao longo dos anos.

Muita gente que quer opinar e tem boas contribuições a dar aos debates vai em frente deixando de lado estes cuidados com a língua.

Mas, acho que a maioria tem medo de arriscar-se diante do mundo.

Pois, em vários destes fóruns de debates, logo depois de um comentário com erros vem outro chamando o comentarista anterior de analfabeto para baixo.

E desacredita as suas boas observações devido à incapacidade do autor usar a língua portuguesa.

O que fazer?


Aqui vai uma proposta ousada: mande o que você quer dizer para o e-mail que criei somente para receber estas mensagens.

pioborges@yahoo.com

Darei uma penteada no seu texto e antes de publicá-lo no Liberdade Carioca com o nome do autor, o enviarei para você que concordará ou não com a forma penteada que terei dado a ele.

Se não concordar não publico.
Se concordar ele vai aparecer para todos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Verdade e Mentira, as pessoas vivem, matam e morrem movidos por estas duas ilusões. Como escolher no que acreditar.



A idéia de colocar em debate este tema me chegou ao tomar conhecimento nos últimos dias das mentiras e desmentidos e das verdades relacionadas aos candidatos às próximas eleições presidenciais.

Dei-me conta de que estava assistindo um jogo em que o grande prêmio dos participantes é chegar ao mais alto cargo no país, e que mesmo não estando vinculado a nenhum deles, pelo menos até agora, o que diziam e o que deixavam de dizer irá afetar em muito ao meu futuro.

Isto ocorre porque cada vez mais este prazo de quatro anos à frente se torna um percentual maior do tempo em minha vida. Detesto imaginar seu desperdício devido à desatenção dos eleitores ao que ouvem, ao que lêem e ao que vêem.

Serra e Dilma (e mais a Marina) têm hoje em maio de 2010 a missão de tornar as suas verdades nas verdades compartilhadas pela metade mais um dos eleitores brasileiros com votos válidos.

Quem conseguir isto governará o Brasil para o seu grupo de fiéis.

E o pior:irão governar também para o grupo minoritário que não acreditou em suas verdades.

É a regra de nossa democracia com pouco mais de 200 anos, aprimorada pela eleição em dois turnos para que não haja dúvidas quanto à legitimidade do presidente: ele (ou ela) de fato e de direito é eleito pela maioria absoluta dos eleitores.

Mas para ser verdadeiramente democrático o eleito não pode governar apenas para o seu grupo, para o seu partido, para os seus partidários.

O sentido da democracia não é a eleição de uma ditadura da maioria renovável de tempos em tempos sobre um a minoria obrigada a engolir estas decisões e suas conseqüências por certo número de anos.

As resistências da oposição a este tipo de tratamento impedem que o bem comum seja alcançado e determina a demora para que decisões de bom senso não sejam vistas como “bandeiras” do grupo perdedor das eleições, e que por isto não sejam implementadas logo.

O processo para superar estas questões requer uma série de arranjos entre correntes políticas opostas em benefício do país como um todo.

O que vem ser a melhor definição de política.

A política porém é muito mutável. E o que se veja hoje como politicamente correto deixa de ser assim visto num passe de mágica.

Veja este exemplo bem simples e até simplista:

A Praça Paris, no centro do Rio de Janeiro, era um lindo recanto da cidade.

Era um ponto turístico imperdível para quem quisesse conhecer a beleza e bom gosto da Cidade Maravilhosa até meados do século 20.

As alamedas, os arbustos ,o lago, os repuxos , o gramado, as estátuas representavam toda a beleza desejada num parque público. Os fícus eram “esculpidos” pelos jardineiros com grande habilidade.Tinham formatos diversos e eram vistos como peças de alta criatividade de seus jardineiros.

Nos anos 60 foi criado o Aterro do Flamengo, separando a Praça Paris da Baía de Guanabara. No Aterro todos os jardins planejados por Burle Marx revolucionaram a arte de fazer jardins. Cada planta foi escolhida para – com a sua própria conformação, sem retoques – representar o verdadeiro jardim tropical.

Era uma verdade botânica contrapondo-se a uma mentira aceita e valorizada por todos.

Os jardins modernos decretaram em menos de 10 anos o fim da antiga estética.

Se a nova verdade se revelou num caso tão pouco controverso é fácil imaginar como neste mesmo período muitas outras verdades aceitas sem discussão sobre uma infinidade de temas foi derrogada sem que a maior parte das pessoas percebesse.

As eleições de outubro para nós serão mais um capítulo no grande confronto histórico brasileiro das verdades de um grupo contra as mentiras dos outros e vice-versa.

Um confronto, como comprova a nossa História,que tem sido não só a fonte de todas as discórdias como de todas as concordâncias obtidas. E obviamente o molde em que está formada a nossa sociedade.

A nossa verdade atual foi estabelecida sobre uma teia de mentiras, inexatidões, artifícios em cima dos quais dirigentes e a população geraram providências reais que ao se tornarem reais afetaram a todos, muito além do terreno das idéias e dos debates.

Uma gota de realidade vale mais do que toneladas de discursos, textos ou intenções.

Como aluno de direito fiz um “curso instantâneo de ceticismo” quanto à pureza dos testemunhos quando, após um simples incidente de rua assistido por uma boa parte da turma gerou tantas versões “detalhadas” e discordantes entre si quantos foram os alunos que o presenciaram.

Os depoimentos por escrito demonstraram melhor do que em mil aulas como o testemunho é antes der tudo falho.

Imagine quando os “incidentes” são testemunhados não por 30 alunos, mas por 130 milhões de “juízes/eleitores”! Cada um vê alguma coisa, e pode ser levado a vê-la com mais clareza quando o incidente é traduzido em sua versão mais adequada a um político de plantão.

Antes do uso do juramento sobre a Bíblia, como vemos em filmes, como forma de obter a verdade e apenas a verdade de uma testemunha este compromisso de se ater à verdade era obtido, como a palavra testemunho diz, colocando a mão (munus) sobre os testículos - testes próprios ou da pessoa que fazia a afirmação.

A mentira descoberta implicaria na perda dos testículos, uma ameaça bem mais próxima do que a que poderá sofrer quem minta depois de jurar dizer a verdade com a mão na Bíblia...

Não há, porém registro na história de quem tenha sido emasculado por ter mentido depois de jurar com a mão nos testículos.

E se esta prática fosse rotineira nas terras do Brasil teríamos ao longo de pouco mais de 500 anos de história produzido o maior contingente de eunucos com altos postos governamentais do mundo.

Se fosse um preceito mundial estaríamos diante de um mundo em que governantes não teriam filhos em todas as latitudes.

Por esta razão antes de mergulhar neste mar tempestuoso das verdades e das mentiras é preciso definir melhor o que estamos falando.

A verdade na mais sua mais simples e mais fácil definição é a correspondência entre o que ocorreu e a sua descrição.

(Coisa que experimentalmente como aluno de direito constatei não ser verdade.)

A mentira é exatamente a mesma coisa com os sinais trocados.

(Coisa que experimentalmente como aluno de direito constatei também não ser verdade.)

Portanto ao abordar o tema e diante de uma definição tão simples concluímos que a busca de uma definição sintética , simples, vai sempre nos levar ao erro.

O problema desta definição não é ser curta, nem simples. É deixar de fora os aspectos sutis que ajudam a entender muito mais precisamente o que se quer dizer quando se deseja chegar à verdade.

Ismael Silva (1905-1978) além de ter sido um sambista inspirado, e uma personalidade admirada por todos que o conheceram, era um filósofo natural, a forma como descreviam a sua atividade os filósofos gregos e todos pensadores que lhes sucederam até pelo menos o século 18.

Os praticantes da filosofia natural eram todos que se dedicavam a entender e explicar o mundo e as pessoas para si próprios e para os demais.

E foi exatamente isto que Ismael Silva fez com os seus parceiros, Nilton Bastos e Francisco Alves, num samba de 1931: Nem é bom falar. Em que falam com sutileza e profundidade sobre mentiras e verdades em poucos versos.

Quer ver?

Nem tudo que se diz se faz
Eu digo e serei capaz

De não resistir
Nem é bom falar
Se a orgia se acabar


A frase inicial que tornou o samba famoso e lembrado hoje 80 anos depois de seu lançamento é uma verdade incontestável : Nem tudo o que se diz se faz.

É um axioma que dispensa uma prova científica para comprovar a verdade nele expressa. O juízo humano sabe que de fato isto acontece. Basta ter convivido com outras pessoas e cada um terá testemunhado como o que é dito deixa muitas vezes de ser feito.

Todos nós deixamos de fazer o que dizemos que iríamos fazer.

Procuramos cumprir o que dissemos, mas nem sempre isto se verifica pelos mais diversos motivos.

Mas esta primeira frase assinala uma verdade que tende a obter o apoio de todos que a ouçam, não só em relação ao que esteja afirmando, mas como um salvoconduto para o que seja dito em seguida.

Uma segunda afirmação que se torna ainda mais verdadeira por estar apoiada pela palavra nem que ameniza a sua ênfase.

O samba não diz que as pessoas (todas) não fazem o que dizem que vão fazer. A frase ao começas pelo Nem a torna ainda mais verdadeira.

Mas, o samba prossegue com outro verso, uma promessa, um compromisso definitivo feito com o benefício de ter sido precedido de uma grande verdade aceita por todos:

Eu digo e serei capaz

É a retórica a que recorrem os candidatos que após alinharem fatos reconhecidos como verdadeiros fazem promessas para obter a confiança de quem lhes esteja ouvindo.

No segundo verso não há reticências, embora fique no ar a expectativa do que ele queira dizer com “ e serei capaz”.

Então o samba subverte tudo o que disse como verdade para complementar seu compromisso quanto ao que ele será capaz:

De não resistir nem é bom falar se a orgia se acabar.

Quem disse antes uma verdade e diz que disse uma verdade avisa que o que disse sempre estará sujeito a deixar de ser verdade “se a orgia se acabar”.

Em física esta orgia poderiam ser as CNTP, ou Condições Normais de Temperatura e Pressão.

Ou status quo, as condições existentes quando o compromisso foi feito, mas perfeitamente abandonado se as condições mudarem.

Se houver risco ao gozo e à fruição de vantagens desfrutadas no momento então todo o dito deixa de valer.

Diante destas possíveis mudanças estão enquadradas todas as verdades ditas, escritas , implantadas a ferro e fogo por todos os políticos, generais, líderes religiosos e nós mesmos.

Algo que podia ser apenas um tema ameno para este texto, mas que na vida prática tem levado milhões de pessoas à perder suas vidas, a mudar de país, a promover mudanças que nos afetaram a todos.

No Brasil estamos às vésperas de um plebiscito entre as verdades de Dilma e as verdades de Serra.

Quem as ouça vai decidir pelo voto democrático quem merece mais crédito para presidir o país. Numa escolha democrática.

Na frase anterior usei várias palavras com mais de 2000 anos retiradas da Grécia antiga que as criaram. Palavras que definiram nos últimos 200 anos a maneira mais bem aceita de fazer política para os bilhões de habitantes da terra.

Os gregos no quinto século antes de Cristo tomavam as decisões políticas, referentes à administração de sua pequena população em Atenas – quase um condomínio da Barra da Tijuca – pelo voto direto dos cidadãos reunidos na Ágora

Foi na Ágora que os cidadãos decidiram também quem deveria ser considerado como cidadão capacitado a votar.

Mulheres, jovens e escravos, (a maior parte da população!!!), não eram considerados cidadãos e portanto não tinham direito ao voto. Bela democracia!

Mas esta Democracia em seus primeiros passos delineou as suas virtudes e explicitou o seu maior problema: saber quem decide quanto à vida em sociedade. Em qualquer sociedade.

No Brasil as mulheres passaram a ter direito nacional ao voto em 1934, sendo reconhecidas como cidadãs a partir de um movimento surgido em Mossoró, no Rio Grande do Norte, logo após a primeira guerra mundial.

Bem antes de centenas de outros países do mundo.

Fomos o quarto país das Américas a estabelecer em Lei esta “novidade” de mulheres como cidadãs, 2500 anos depois da “invenção” da democracia na Grécia.

Antes do Brasil tiveram direito ao voto as mulheres do Canadá, Estados Unidos e Equador.

Os jovens acima dos 16 anos ganharam o direito de votar no Brasil na constituição de 1988.

Com estas medidas o Brasil é um dos maiores colégios eleitorais do mundo em que uma eleição realmente alcança e supera qualquer manifestação democrática em qualquer momento da história.

Nós somos 130 milhões de eleitores com direito e obrigação de votar numa população total de 190 milhões habitantes. Obter a maioria dos votos desta multidão consolida a escolha do eleito, ou da eleita.

Numa outra grande democracia do mundo, os Estados Unidos da América, o total de eleitores registrados em 2008 era de 130 milhões de pessoas para uma população de 300milhões de habitantes também em 2008.

Por incrível que pareça a densidade eleitoral no Brasil (130 milhões de habitantes em 190 milhões na população) é bem mais alta do que a dos EUA (130 milhões de eleitores para uma população de 300 milhões de habitantes).

A Índia com mais de um bilhão de habitantes e um sistema eleitoral quase incompreensível para nós (pois tem de acomodar diferenças profundas de suas etnias conflitantes) tem pouco mais de 200 milhões de eleitores de variados partidos que se matam regularmente a cada novas eleição.

O Brasil portanto aparece muito bem na foto, mas isto para nós é também um grande risco: pois a verdade aceita como tal pela maioria elege uma pessoa compromissada em obrigar às demais pessoas a aceitar providências contrárias a seus interesse manifestado nas urnas.

Mas, esta oposição e este conflito de interesses diante da verdade das ações governamentais não são novidades, nem exceções no Brasil, nem fatos que se tornaram mais problemáticos em certas épocas e menos importantes em outras épocas.

Aquela piada de que as coisas funcionam aqui por que Deus é brasileiro parece cada vez menos uma piada e um verdadeiro pistolão celestial para explicar a nossa história desde que passou a ser registrada.

Como um país “achado” por uma esquadra de um país católico que exibia a “Cruz de Malta” na velas de todas as suas naus e caravelas, “batizado” de Vera Cruz muda de nome para Brasil em pouco mais de 30 anos após a viagem de Cabral?

O nome de verdade, Vera Cruz, é mudado para o nome de mentira Brasil numa das histórias políticas e diplomáticas mais fascinantes. Algo que podemos examinar em outros textos.

Neste o que vale mais acentuar é que a nossa verdade atual, representada por tudo o que aqui existe, inclusive eu, você e sua família somos resultantes de uma infinidade de mentiras que não cessam de ser criadas e implementadas todos os dias.

O Roberto, meu filho, ao falarmos sobre este tema, disse uma frase muito boa, por me parecer tão verdadeira como a do samba do Ismael Silva:

Não adianta procurar a verdade, o que devemos buscar é a melhor mentira.

Um caso a pensar...